A longa jornada de Endrick até Madrid: talento, fome e um sonho inacabado
Se Paulo Fonseca queria 'cutucar' Endrick... ele conseguiu. "Não estou satisfeito com o desempenho dele. Ele estava cansado depois da viagem ao Brasil, mas tem a responsabilidade de fazer mais. Precisamos dele. Ele precisa dar mais de si e estar mais disponível", disse o treinador do Olympique Lyonnais após o empate com o Angers (0-0).
Não estou satisfeito com o desempenho dele. Ele tem a responsabilidade de fazer mais.
Uma 'puxada de orelhas' pública que foi acompanhada pela sua substituição na vitória contra o Lorient (2-0). No entanto, o empate 0-0 no intervalo e os nove jogos sem vencer (cinco empates e quatro derrotas) que o OL havia enfrentado forçaram Fonseca a retificar a situação. Ele fez uma tripla alteração no intervalo, colocando Tolisso, Mangala e Endrick.
A chegada do atacante do Real Madrid revolucionou completamente o jogo. Ele precisou de apenas quatro minutos para 'fabricar' o gol que 'abriu o marcador'. Ele 'roubou' um lançamento longo de Tolisso na entrada da área, no lado direito, e fez um cruzamento preciso que foi cabeceado para o gol por Yaremchuk.
Recebeu de Afonso Moreira no espaço, livrou-se de Abdoulaye Faye e, frente a frente, rematou com um remate que Yvon Mvogo repeliu da melhor forma que pôde... mas serviu para Tolisso marcar de cabeça para a baliza vazia.
Embora tenha ficado mais de dois meses sem marcar na Ligue 1, desde que fez um hat-trick contra o Metz (2-5) em 25 de janeiro, Jeffinho continua a alimentar a reputação de 'clutch player' — um jogador que responde em momentos estelares — que conquistou na França. Desde a sua chegada ao Lyon, ele tem seis gols e seis assistências em 1.232 minutos. Ou seja, ele está envolvido em um gol a cada 102 minutos.
A "artimanha" de Fonseca funcionou: "Como treinador, temos de encontrar estratégias para obter reações dos jogadores e foi isso que fiz", disse ele.
Como treinador, devemos encontrar estratégias para obter reações dos jogadores e foi isso que fiz
"Falamos para obter a reação de um jogador que é importante para nós e que precisa dar mais. Acho que ele entrou bem e teve aquela reação de que precisávamos. Foi positivo", disse o treinador do Olympique Lyonnais.
Seu companheiro de equipe Dominik Greif, ex-jogador do Mallorca, escolheu defendê-lo: "Endrick é um grande jogador, talentoso, mas as pessoas esquecem que ele tem apenas 19 anos. Ele é uma criança. Talvez as expectativas que ele gerou quando chegou foram injustas, mas ele é um jogador incrível. Todos passamos por fases boas e ruins."
Endrick é um grande jogador, talentoso, mas as pessoas esquecem que ele tem apenas 19 anos. Ele é um menino.
Orel Mangala também fechou fileiras com o emprestado do Real Madrid: "Ele teve uma grande reação. Ele mostrou que... todos nós conhecemos as suas qualidades. Agora é apenas uma questão de maturidade, saber quando correr riscos e quando jogar de forma simples. Só isso. Ele é um jogador muito bom."
"Ele mostrou que, às vezes, consegue iluminar o estádio. E quando consegue ser decisivo assim, só pode ser benéfico para a equipe", comentou o zagueiro do 'OL'. Endrick está de volta. A hora decisiva está de volta.