Arsenal freia arrancada do Manchester City pelo título da WSL com gol de Smith
A vitória do Arsenal por 1 a 0 sobre o Manchester City no Emirates Stadium não seria uma declaração de candidatura ao título dos Gunners, já que a vantagem do City na liderança é grande demais, mas o resultado contra os prováveis campeões ainda teve enorme valor.
Seria preciso um colapso monumental para o City deixar escapar seu segundo título da liga, 10 anos após o primeiro. A equipe tem oito pontos de vantagem sobre o Manchester United e 10 sobre o Arsenal, que tem um jogo a menos.
A equipe de Renée Slegers teve dificuldades contra os outros times do top 4 nesta temporada. Até a convincente vitória por 2 a 0 sobre o Chelsea em Stamford Bridge, há duas semanas, havia somado três pontos em quatro jogos da Women's Super League contra City, United e Chelsea, com derrota para o City no duelo do segundo turno e empates nos demais.
As Gunners têm mostrado outra cara desde que superaram um início de ano lento, com este jogo contra o City e a vitória sobre o Chelsea enquadrando o triunfo na primeira edição da Women’s Champions Cup.
As detentoras da Liga dos Campeões estão agora a dois pontos do United, segundo colocado, com um jogo a menos, e a vitória, graças ao gol de Olivia Smith no primeiro tempo, mantém a equipe firme na briga por uma vaga nas competições europeias da próxima temporada.
Havia alguma cautela antes deste grande confronto, já que o City de Andrée Jeglertz havia atropelado o atual campeão da WSL, o Chelsea, na semana anterior, com a atacante brasileira Kerolin marcando um hat-trick na vitória por 5 a 1.
O talento ofensivo do City é difícil de conter, com Khadija Shaw, Lauren Hemp e Kerolin formando um trio de ataque formidável, enquanto a ex-atacante do Arsenal Vivianne Miedema brilha na função de camisa 10.
O Emirates é a casa do Arsenal, e o clube apostou forte na divulgação da partida para criar um ambiente capaz de fazer diferença, com 39.155 torcedores seguindo para o estádio para ver os novos campeões mundiais após a sua vitória de pouco significado na Champions Cup.
A equipe da casa começou melhor, com as jogadoras de vermelho pressionando o City de perto. Mostraram mais fome, chegaram antes às segundas bolas e impuseram intensidade na pressão. Uma forma de travar o ataque dominante do City é limitar sua posse, e essa foi uma estratégia altamente eficaz durante boa parte do jogo. Defensivamente, o Arsenal foi excelente: a dupla de zaga formada por Lotte Wubben-Moy e Steph Catley começa a se firmar de vez, o que também permitiu o retorno gradual de Leah Williamson após sua ausência por lesão.
Foi aí que o City mostrou fragilidade e acabou castigado no primeiro tempo: Mariona Caldentey tabelou com Kim Little antes de enfiar um passe preciso para Smith. A zagueira Rebecca Knaak não conseguiu acompanhar a internacional canadense, que se livrou da marcação sem dificuldade, driblou a goleira Ayaka Yamashita e empurrou para o gol vazio.
Foi um gol bem trabalhado, e o Arsenal deveria ter ampliado a vantagem com o passar do tempo; Alessia Russo levou perigo duas vezes em rápida sequência e exigiu uma boa defesa.
O Arsenal também teve sorte: Caldentey, de forma inexplicável, não foi punida por derrubar Lauren Hemp na entrada da área, quando a atacante inglesa tinha apenas Daphne van Domselaar pela frente.
Houve outro momento de tensão a pouco mais de 10 minutos do fim. Miedema recebeu o passe em profundidade de Yui Hasegawa, mas escorregou; na sequência, puxou Katie McCabe antes de se recuperar e tocar para a rede, porém o lance foi invalidado por falta.
Contaram com a sorte e viveram sob a ameaça constante de o City castigar os desperdícios iniciais, mas a equipe visitante não conseguiu furar a defesa; ao apito final, a torcida da casa levantou-se para celebrar, satisfeita por travar a sequência do City, ainda que dificilmente consiga tirar deles o título.
Imagem de cabeçalho: [Fotografia: Harry Murphy/Getty Images]