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Arsène Wenger pode dar uma ajuda ao VAR após a confusão em Newcastle x Manchester City

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Em Roma, em 1993, Hicham El Guerrouj, meio-fundista marroquino, já tinha corrido uma milha, tomado banho e iniciado seus compromissos com a imprensa no tempo que levou para o segundo gol de Antoine Semenyo ser anulado em St James’ Park, na noite de terça-feira. Não exatamente, mas você entendeu a ideia.

O recorde mundial da milha de El Guerrouj é de 3min43s13, e os oficiais levaram 5min30s para anular a tentativa de Semenyo. Não demora muito mais do que isso para o cavalo vencedor completar as três milhas e dois furlongs e meio do percurso da Cheltenham Gold Cup, com 22 obstáculos ao longo do trajeto.

Até para os padrões do VAR, foi o auge do absurdo. Os defensores do fim do VAR — que já eram muitos — ganharam ainda mais adeptos em uma noite e tanto.

Era difícil não se juntar a eles. Mas a realidade é que o VAR não vai ser abolido. A FIFA, veja só, vai usar o VAR para verificar a correção das decisões de escanteio e dos segundos cartões amarelos na Copa do Mundo.

Isso não deve impedir os ingleses sensatos de concluir que o futebol é melhor sem o VAR, certo? Todos viram como a Copa da Inglaterra sem VAR foi muito mais divertida no fim de semana passado, não?

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Não. Quando o Wolves apresentou uma proposta para acabar com o VAR em junho de 2024, perdeu a votação na reunião da Premier League por 19 a 1 — com o único voto a favor sendo o do próprio Wolves. O VAR veio para ficar, por isso o que precisa mudar radicalmente é a forma como está sendo aplicado.

Um limite de tempo já seria um começo. Qualquer lance que passe de 90 segundos, esqueça. Até 60, mesmo. E troquem o critério de ‘claro e óbvio’ por algo ‘escancaradamente óbvio’ — algo que tenha de estar na cara.

Mas a mudança mais significativa seria chegar a um meio-termo com o VAR na área mais controversa — e muitas vezes a que mais consome tempo — de sua atuação: o impedimento.

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Segundo relatos, as Home Associations vão se opor ao desejo da FIFA de realizar novos testes para a mudança radical proposta por Arsène Wenger na regra do impedimento. E isso é uma pena.

Wenger propõe mudança fundamental na regra do impedimento: seria preciso haver espaço claro entre defensor e atacante para a infração ser marcada

Sem essa distinção de tronco, braços e pernas: o atacante estaria em posição legal, a menos que houvesse um espaço claro entre ele e QUALQUER parte do corpo de um defensor. Essencialmente, onde não há VAR, é assim que o impedimento é marcado de qualquer forma.

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Está cada vez mais claro que os sistemas semiautomatizados não estão a funcionar corretamente. Por isso, foi necessário recorrer ao traçado das linhas durante aquele lamentável atraso em St James’ Park.

Os opositores da proposta de Wenger dizem que ela é drástica demais e inclinaria a regra do impedimento excessivamente a favor dos atacantes. A resposta mais óbvia é: e qual é o problema?

A regra valeria igualmente para as duas equipes, e o aspecto mais bem-vindo seria uma redução significativa no tempo das decisões de impedimento do VAR. Para tristeza de muitos, o VAR não será abolido. Mas ele precisa de toda ajuda possível, e a Lei Wenger seria um começo.

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