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Como salvar o Nottingham Forest do pesadelo do rebaixamento: uma conversa difícil com Morgan Gibbs-White, corrigir o erro divisivo de Sean Dyche, o dilema da Liga Europa... e por que o favorito Vítor Pereira pode ser o nome ideal

Vítor Pereira gosta de relaxar após os jogos com uma ou duas cervejas bem geladas, mas, se substituir Sean Dyche no Nottingham Forest, pode acabar precisando de algo mais forte.

O ex-treinador português do Wolves é o principal candidato para se tornar o quarto técnico do Forest na temporada e espera assumir a tempo do confronto da Liga Europa da próxima semana contra o Fenerbahçe, clube que já comandou em duas passagens.

Com o Forest, porém, nada jamais pode ser garantido.

Quem quer que chegue saberá que Evangelos Marinakis já demitiu três treinadores nesta temporada, e que a força do elenco teve peso importante para o clube estabelecer um recorde da Premier League com quatro técnicos efetivos na mesma campanha.

Nuno Espírito Santo saiu após apenas três jogos, prejudicado por problemas nos bastidores. Os jogadores nunca compraram a ideia do seu sucessor, Ange Postecoglou, e, após uma reação inicial, vários também decidiram que não gostavam muito de Sean Dyche.

Embora as passagens de Postecoglou e Dyche tenham terminado em frustração, já é hora de os principais nomes do Forest assumirem responsabilidade por suas atuações, em vez de culparem o homem no banco. Ainda assim, cobrá-los agora não vai funcionar.

Ex-técnico do Wolves, Vítor Pereira é o principal candidato para se tornar o quarto treinador efetivo do Nottingham Forest nesta temporada, um recorde do clube

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Jogadores do Forest se voltaram contra Sean Dyche, demitido após empate sem gols com o lanterna Wolves na quarta-feira

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Postecoglou deixou seus jogadores irritados, pois eles sentiram que ele havia menosprezado o que fizeram em 2024-25, quando o Forest terminou em sétimo e chegou às semifinais da FA Cup sob o comando de Nuno Espírito Santo. Quando Dyche criticou os jogadores menos utilizados após a derrota para o Wrexham na FA Cup, algo se rompeu entre o treinador e o elenco, sem possibilidade de reparação.

Se a escolha for Pereira, o Forest precisará que ele tenha o mesmo impacto que teve no Wolves, quando assumiu em dezembro de 2024 com o clube ameaçado pelo rebaixamento e o conduziu a uma permanência tranquila. Sobre o que aconteceu depois, melhor não entrar em detalhes. Mas ele já conhece bem Marinakis, depois de ter conquistado a dobradinha na Grécia com o Olympiacos em 2015 (foi demitido pouco depois para dar lugar ao atual técnico do Fulham, Marco Silva).

O novo treinador terá de começar em alta, e estes são os problemas que precisará resolver para que o Forest continue na elite na próxima temporada.

Demonstrem carinho por Gibbs-White

Morgan Gibbs-White é um enigma. No seu melhor, é um dos principais camisas 10 da Premier League. Mas nesta temporada chegou a hora de começar a jogar como a estrela em que se tornou no City Ground.

Depois de rejeitar a investida do Tottenham no verão passado, o clube tornou Gibbs-White o jogador mais bem pago de sua história. Desde então, ele soma sete gols e quatro assistências em 35 jogos.

Números respeitáveis, mas longe de serem revolucionários. O parâmetro para um camisa 10 de elite é atingir dois dígitos em ambas as estatísticas.

Com Gibbs-White, porém, nunca se trata apenas de futebol. Aos 26 anos, ele é um livro relativamente aberto: quando está em alta, todos percebem — e o mesmo acontece quando está em baixa.

É preciso dizer que Gibbs-White sempre deu 100% por seus treinadores no Forest e nunca tentou miná-los. Ele se entrega ao máximo e procura liderar pelo exemplo.

Morgan Gibbs-White é um enigma. Em sua melhor forma, é um dos principais camisas 10 da Premier League — mas chegou a hora de jogar como se espera pelo que recebe

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O Forest precisa que Pereira tenha o mesmo impacto que teve no Wolves, quando assumiu o comando em dezembro de 2024 com o clube ameaçado pelo rebaixamento e o levou a uma permanência tranquila

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Mas ele também é uma figura carismática, e isso significa que o seu estado de espírito por vezes influencia o dos outros. Para um treinador do Forest, é aí que os sinais de alerta começam a acender. Capitão em muitas ocasiões nesta temporada, alguns — embora não todos — questionam se Gibbs-White tem agido sempre como tal.

Pode haver um momento certo para chamar Gibbs-White e dizer-lhe algumas verdades, mas este não é esse momento. Ao lado de Elliot Anderson, Gibbs-White é o atacante mais talentoso do Forest e, se atingir o seu melhor nível, ainda há tempo para convencer Thomas Tuchel a levá-lo ao Mundial neste verão. De facto, o Daily Mail Sport apurou que Tuchel nunca viu totalmente motivo para toda a agitação em torno de Gibbs-White.

Eis o guião para o novo treinador do Forest: eu sei o quão bom você é, Morgan. Agora prove que Tuchel está errado, mantenha-nos na Premier League e garanta seu lugar no avião para a América do Norte. Seria uma mensagem forte.

Não se trata apenas de sobrevivência

É aqui que a situação fica realmente complicada para o novo treinador. Por mais improvável que pareça, Marinakis ainda mira a Liga dos Campeões da próxima temporada. O Forest pode chegar lá se conquistar a Liga Europa, e terá pela frente um play-off em dois jogos contra o Fenerbahçe, com a partida de ida em Istambul, em 19 de fevereiro.

Quanto mais o Forest avançar na Europa, mais difícil será encontrar o equilíbrio: Liga Europa na quinta-feira, Premier League no domingo.

Ser eliminado da Liga Europa pode aumentar as chances de evitar o rebaixamento, mas qualquer treinador que deixe jogadores-chave fora na competição dificilmente contará com o apoio de longo prazo de Marinakis.

O desafio é tão mental quanto físico. Jogadores desgastados sentem mais o cansaço do que os motivados. Por isso, um novo treinador precisa formar um núcleo de profissionais experientes capaz de manter o nível nestas semanas finais.

Mesmo lesionados, os heróis da última temporada, Matz Sels e Chris Wood, devem estar incluídos. Também fazem parte o capitão Ryan Yates, Neco Williams, Taiwo Awoniyi, Nikola Milenkovic, Ola Aina e Gibbs-White. Esse grupo pode fornecer a base para construir o restante da temporada.

O proprietário Evangelos Marinakis ainda quer o Forest na Liga dos Campeões na próxima temporada — objetivo que o clube pode alcançar ao vencer a Liga Europa

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O novo treinador faria bem em montar um grupo de liderança forte em torno de nomes como o capitão Ryan Yates

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Reformular o elenco

A janela de transferências já fechou, por isso um novo treinador não poderá contratar reforços. O que ele pode fazer, porém, é acabar com o clima de “nós contra eles” que Dyche conseguiu criar.

A tirada extraordinária de Dyche em Wrexham praticamente disse a metade do elenco que ele não confiava neles. Mas isso precisa ser corrigido: o Forest gastou mais no verão passado do que Bayern de Munique, Real Madrid e Paris Saint-Germain e, embora a maioria dos reforços ainda não tenha rendido, isso não significa que sejam maus jogadores. Dan Ndoye, por exemplo, era desejado pelo campeão italiano Napoli, treinado por Antonio Conte — uma credencial e tanto para o seu currículo.

Treinadores sempre têm jogadores que valorizam mais e outros que custam a convencê-los, mas o novo técnico do Forest precisa encontrar uma forma de aproveitar o maior número possível.

No papel, o elenco do Forest é melhor do que o de muitos times da metade inferior da Premier League. Agora é a hora de aproveitá-lo ao máximo — antes que seja tarde demais.

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