Portugal é uma equipa melhor com Cristiano Ronaldo, diz Dalot

Ronaldo ainda é fundamental, diz Dalot (Getty Images)
Portugal continua a ser uma equipa mais temível quando Cristiano Ronaldo está na ficha de jogo, afirma o colega de seleção Diogo Dalot.
As dúvidas sobre o papel de Ronaldo na Seleção persistem há anos, com alguns ainda pouco convencidos do seu estatuto garantido como principal referência de Portugal à entrada para o Mundial deste verão.
Para Dalot, que deverá integrar a convocatória de Roberto Martínez este verão, trata-se de uma questão que acompanhou tanto a nível de clubes como de seleções. Quando Cristiano Ronaldo regressou ao Manchester United em 2021, aos 36 anos, muitos em Inglaterra criticaram a sua falta de mobilidade e de pressão sem bola na Premier League.
Cristiano Ronaldo calou em grande parte os seus críticos com golos na sua segunda passagem por Old Trafford, marcando uns impressionantes 18 golos na principal liga inglesa e mais seis na Liga dos Campeões, num total de 24 golos em 38 jogos em todas as competições. Em entrevista alargada esta semana à lenda do United Rio Ferdinand, Diogo Dalot foi questionado por Ferdinand sobre a muito debatida questão da pressão defensiva de Ronaldo na equipa, tema que surgiu pela primeira vez no United.
“Você sabe como ele pensa: ele precisa ter energia para marcar gols”, explicou Dalot. “É quase como se ele pensasse: ‘ok, vocês querem gols? Eu preciso estar fresco, para que quando recuperemos a bola eu esteja na área e mentalmente preparado’. Mesmo nesse curto período [no United], ele foi realmente decisivo para nós, e dá para ver quantos gols ele marcou.”
“Acho que nós [Portugal] seremos sempre uma equipa melhor e mais perigosa com ele em campo. Se me perguntarem se ele consegue correr como corria durante 90 minutos há cinco ou seis anos, claro que não. Mas é alguém que se adapta muito bem. Ele sabe: ‘ok, estou um pouco mais cansado, mas preciso fazer mais uma ou duas pressões aqui porque a equipa precisa de embalo’, e ele faz isso.”
“E não é que ele não consiga correr. Se você olhar os dados, ele ainda apresenta distâncias de sprint muito boas em alta velocidade. Ele consegue atingir bons níveis.”
“O que eu diria é que, quando as outras equipas veem o Cristiano no onze inicial, não é a mesma coisa se ele não estiver. E é preciso jogar também com isso. Ele sabe disso e até diz: ‘entrem na área comigo; pelo menos um adversário vai estar a marcar-me o tempo todo, porque não me podem deixar sozinho ou é golo!’ Essa é a sua mentalidade.”
“Como equipe, temos de saber jogar com essa vantagem. Porque, quando ele está na área, todos estão sempre a tentar encontrá-lo ou a perceber onde ele está, e isso acaba por criar espaço para outros jogadores marcarem golos.”