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ESPECIAL | Robin Risser, do Lens, é a solução para o dilema da França no gol?

Há oito anos, poucos dias antes de anunciar os 23 jogadores que o acompanhariam à Rússia e se tornariam campeões mundiais três meses depois, Didier Deschamps detalhou o processo que gostava de usar para montar sua equipe.

"Tenho vagas a preencher em todas as posições", explicou. "No início, anoto quatro ou cinco nomes em cada espaço. Ao fim da minha análise, cada espaço deve ter apenas dois nomes."

Com a Copa do Mundo de 2026 (11 de junho a 19 de julho) já no horizonte, o técnico da seleção francesa se prepara para realizar esse delicado exercício pela quarta e última vez, após já ter anunciado que deixará o cargo ao fim do torneio. Mas, ao contrário de 2014 e 2018, Deschamps agora tem mais margem na escolha dos convocados.

Nos Estados Unidos, como já aconteceu no Qatar em 2022, o treinador de 57 anos poderá levar pelo menos 26 jogadores. E até mais, caso se confirmem os rumores de que a FIFA quer ampliar as convocatórias para 30. Isso não significa que as seleções sejam obrigadas a chamar o número máximo de atletas, apenas que terão essa opção. Há quatro anos, o próprio Deschamps optou por não inchar o grupo e convocou apenas 23 jogadores na tentativa de defender o título mundial.

Portanto, não seria surpresa vê-lo fazer a mesma escolha quando divulgar sua lista para a edição de 2026 no próximo mês de maio. Depois virá a questão dos jogadores selecionados. Porque esse talvez seja o outro lado de poder contar com um reservatório de talentos tão vasto quanto o da França: será preciso tomar decisões. Deschamps, conhecido por seu pragmatismo, não é do tipo que costuma surpreender. No entanto, neste verão, essa tendência pode muito bem ser invertida.

Embora o elenco esteja bem servido em todas as áreas, tanto em qualidade quanto em quantidade, ainda há uma posição que levanta algumas dúvidas: a de goleiro. Mike Maignan (30) parece ser o titular absoluto, mas a definição de seus dois reservas não é tão clara quanto pode parecer.

Lucas Chevalier, de 24 anos, que somou sua primeira convocação em novembro passado contra o Azerbaijão (vitória por 3 a 1), segue à frente dos concorrentes, embora o momento não jogue a seu favor. Contratado pelo Paris Saint-Germain para substituir Gianluigi Donnarumma, de 26 anos, que se transferiu para o Manchester City, o goleiro ainda não convenceu. Tanto que já não é visto como titular da equipe de Luis Enrique. Após erros custosos e atuações fracas nos últimos meses, o ex-jogador do Lille perdeu espaço para o companheiro Matvey Safonov, de 26 anos, que assumiu a posição de número 1 nas últimas semanas. Talvez ainda não o suficiente para Deschamps rebaixá-lo na hierarquia, mas certamente o bastante para fazê-lo refletir.

Quanto aos outros candidatos a uma vaga na seleção da França para a Copa do Mundo, também é recomendável cautela.

Brice Samba (31), internacional em três ocasiões, também vive um momento difícil. Titular do Stade Rennais, o goleiro é o terceiro que mais sofreu gols na Ligue 1 nesta temporada (31 em 20 jogos) e aparece apenas na 15ª posição em percentual de defesas (65,9%), segundo dados do FBref.

Alphonse Areola (32), integrante da seleção que foi ao Qatar em 2022, também não vive bom momento: ainda não conseguiu um jogo sem sofrer gol pelo West Ham United, atual 18º da Premier League, após 20 partidas, e perdeu a posição nos jogos recentes.

Diante de tantas incertezas, Deschamps pode ser tentado a mudar seus hábitos? E, se isso acontecer, quem estaria em posição de levá-lo a fazê-lo? Robin Risser (21) pode muito bem ser a melhor resposta para essas perguntas.

Formado nas categorias de base do RC Strasbourg Alsace, o goleiro de Colmar chegou ao RC Lens no verão passado e rapidamente se firmou como um dos melhores da Ligue 1. Titular em 21 partidas sob o comando de Pierre Sage, Risser tem números impressionantes: sofreu apenas 17 gols desde o início da temporada, somou nada menos que oito jogos sem sofrer gols e registra a segunda melhor taxa de defesas da liga (76,2%), atrás apenas de Hervé Koffi, do SCO Angers (29), com 78%.

Isso foi suficiente para impressionar Sage, cujo passado como jogador o levou a atuar debaixo das traves. “Ele é um goleiro com muitas qualidades em diferentes áreas. É muito bom em cima da linha, sabe gerir bem os espaços nas costas da defesa, tem bom jogo com os pés e também sai bem do gol nas bolas aéreas. E acho que, hoje, o que fará a diferença entre o nível atual dele e o nível que terá daqui a dois ou três anos é justamente a capacidade de lidar com os altos e baixos de suas partidas, assim como com os altos e baixos da equipe”, disse em setembro passado o ex-goleiro do modesto CS Belleysan sobre seu jovem pupilo.

“Falámos sobre a velocidade da sua recuperação e a forma como ela depende do que a equipa acabou de passar. Será a experiência dos jogos e a sequência dos acontecimentos que o levarão até lá. Mas, em todo o caso, ele tem todos os atributos para se tornar um guarda-redes muito, muito grande.”

Risser também soma experiência nas seleções nacionais: integra a equipe desde a categoria sub-16 e atualmente segue representando o país na sub-21.

Um destino quase idêntico ao de Guillaume Restes, de 20 anos, do Toulouse FC, cujas atuações consistentes podem muito bem lhe render uma vaga na seleção francesa. Isso pode acontecer já em 2026?

Uma terceira opção para Deschamps também pode vir da Itália, mais precisamente do Como, onde Jean Butez (30) vem brilhando. Nascido em Lille e formado na base do LOSC, o goleiro de 30 anos nunca teve a oportunidade de se provar na França e se transferiu para a Bélgica antes de estrear como profissional.

Em 23 jogos no gol pelos Lariani nesta temporada, ele sofreu apenas 16 gols, registrou uma impressionante taxa de defesas de 81,3% e manteve 12 jogos sem sofrer gol, ajudando o Como a se firmar como a segunda melhor defesa da Serie A.

Aos 30 anos e sem nunca ter vestido a camisa azul, branca e vermelha da seleção francesa, ele parece viver a melhor fase da carreira — justamente no momento ideal para corresponder e realizar seu sonho americano.

GFFN | Léo Aschi

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