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Por dentro da rápida queda de Enzo Maresca no Chelsea: o que ele realmente quis dizer com o comentário sobre as 'piores 48 horas', como expôs um colega — e a contratação com a qual nem chegou a falar

Numa sexta-feira de agosto, o Daily Mail Sport estava no centro de treinos de Cobham, do Chelsea, e, um pouco antes da coletiva daquele dia, encontrou Enzo Maresca no estacionamento.

O pai de quatro filhos havia parado sua Mercedes van e estava com o filho, um jovem educado que nos desejou bom dia e perguntou como estávamos.

Perguntamos em tom de brincadeira a Maresca se aquele era o seu mais novo reforço. Afinal, ele tinha mesmo pinta de jogador: jovem e já com o agasalho do clube. “Sim!”, respondeu Maresca. “É o meu novo zagueiro!”

Essa declaração entrou em conflito com a entrevista coletiva seguinte, quando Maresca afirmou que nunca disse querer contratar um substituto para Levi Colwill após sua lesão no ligamento cruzado anterior, recuando parcialmente em relação ao que havia dito aos jornalistas na semana anterior.

Foi uma manhã reveladora. Maresca nunca conseguiu o zagueiro que queria, pois o Chelsea acreditava ter opções suficientes para cobrir Colwill e, assim, não pela primeira nem pela última vez, o italiano escudou-se na alegação de que havíamos entendido mal o que queria dizer, já que o inglês continuava a ser uma língua difícil para ele.

Se Maresca desejava ter mais controlo no Chelsea, depois de levar o clube à Liga dos Campeões e conquistar a Conference League e depois o Mundial de Clubes, fez por merecê-lo.

Era de Enzo Maresca no Chelsea chega ao fim após ruptura em sua relação com a diretoria em Stamford Bridge

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Maresca conhecia a forma de trabalhar do Chelsea quando assinou seu contrato de cinco anos, em junho de 2024, e não pode alegar que as regras do jogo mudaram. Seu cargo era o de 'head coach', e sua principal função era treinar os jogadores.

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Ele conhecia a forma de trabalhar do Chelsea quando assinou o contrato de cinco anos em junho de 2024 e não pode alegar que as regras mudaram. Seu cargo era o de "treinador principal", e sua principal função era treinar os jogadores colocados à sua disposição, e não identificar e contratar reforços pessoalmente.

Por exemplo, ele não falou com Alejandro Garnacho antes de o jogador ser contratado junto ao Manchester United. A contratação foi submetida à sua avaliação, e Maresca concordou que valia a pena assiná-lo, mas a conversa ficaria para quando ele já estivesse no campo de treino.

Em vez disso, entende-se que a principal queixa de Maresca era outra, como explicaremos.

Após o decepcionante empate em 2 a 2 com o Bournemouth na terça-feira, Maresca se recusou a falar com a imprensa alegando uma doença que, segundo fontes internas do Chelsea, não existiu, e colocou seu auxiliar, Willy Caballero, para dar as entrevistas. Fontes afirmam que a atitude foi considerada antiprofissional, desrespeitosa e injusta com Caballero, que teve de mentir em benefício do colega.

Talvez Maresca não confiasse no que diria quando as câmaras estivessem a gravar. Suas palavras já haviam gerado problemas antes, não apenas ao pedir um novo zagueiro, mas também em outras ocasiões, como ao afirmar que a direção do Chelsea nunca lhe fixou a meta de buscar a Liga dos Campeões em sua primeira temporada no comando, ou ao prever, já em setembro de sua segunda época, que o Liverpool era impossível de parar na Premier League.

A maior controvérsia, porém, surgiu com suas declarações sobre as ‘piores 48 horas’ após a vitória por 2 a 0 sobre o Everton, que foi o único triunfo do Chelsea na Premier League em dezembro. A reação pegou os Blues de surpresa. Tentamos fazer Maresca esclarecer suas queixas à imprensa, mas ele se recusou. Pessoas de dentro do clube também pediram que ele explicasse os motivos de sua insatisfação para que pudessem entender por que estava chateado, mas, novamente, ele se recusou.

Ao decidir pela separação no Dia de Ano-Novo, porém, o Chelsea finalmente descobriu o motivo por trás de suas '48 horas mais difíceis'. Maresca não dirigia essas palavras ao coproprietário Behdad Eghbali, nem aos co-diretores esportivos Paul Winstanley e Laurence Stewart, nem aos especialistas em recrutamento como Joe Shields e Sam Jewell, que visitam regularmente o vestiário do Chelsea após os jogos, independentemente de vitória, empate ou derrota.

As questões diziam respeito às orientações médicas que ele recebia sobre jogadores em retorno de lesão. Antes de cada partida, Maresca participava de uma reunião em que era informado sobre quantos minutos certos atletas podiam suportar. Por exemplo, podia receber a indicação de que Reece James aguentaria no máximo 45 minutos. A partir daí, cabia a ele decidir se utilizaria seu capitão no primeiro ou no segundo tempo.

Explosão de Maresca sobre as 'piores 48 horas' teve relação com a orientação médica recebida sobre jogadores que voltavam de lesão

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Marc Cucurella foi o primeiro jogador do Chelsea a agradecer a Maresca pela ajuda

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No entanto, o Daily Mail Sport apurou que Maresca nem sempre seguiu essa orientação e, com possível risco de nova lesão, houve ocasiões em que manteve jogadores em campo por mais tempo do que o departamento médico considerava adequado. Isso foi mal recebido internamente.

As ligações entre Maresca e o Manchester City também eram reais, embora o italiano tenha descartado os relatos como especulação. O Chelsea temia que ele estivesse tentado pela possibilidade de substituir Pep Guardiola ao fim desta temporada. Isso coincidiu com a troca de representantes de Maresca durante a campanha, ao se juntar ao superagente Jorge Mendes.

Ele também começou a tentar melhorar sua imagem pública, incluindo a contratação de uma empresa para gerir sua nova conta no Instagram. Acredita-se que ele tenha cogitado publicar um livro após o verão bem-sucedido do Chelsea — ideia que aparentemente foi barrada — e também participou de um evento na Itália com o jornal La Gazzetta dello Sport, aparentemente sem informar o clube.

Embora mantivesse uma relação cordial com os jornalistas que acompanhavam o Chelsea mais de perto, Maresca tentou evitar compromissos com a imprensa além do que era exigido em contrato. Quando a equipe chegou à final do Mundial de Clubes no verão, ele teria sido convidado a conceder uma entrevista exclusiva aos jornalistas de mídia impressa que passaram o último mês acompanhando o time nos Estados Unidos. Maresca recusou. Em vez disso, tivemos meia hora com Marc Cucurella em Nova York. Figura muito simpática, Cucurella foi o primeiro jogador a desejar boa sorte a Maresca nas redes sociais após a confirmação de sua saída do Chelsea.

O Chelsea defendeu Maresca várias vezes durante o seu período no comando. Quando houve críticas generalizadas às suas rotações constantes, por exemplo, o Daily Mail Sport recebeu uma ligação de uma fonte explicando que se tratava de uma abordagem adotada por todo o clube. Fomos informados de que seria injusto atribuir isso apenas a Maresca. O Chelsea também o apoiou no inverno passado, quando ele atravessou um período igualmente difícil.

Após a experiência no comando do Leicester na Championship, Maresca teve de lidar com a pressão de dirigir um grande clube. No fim da última temporada, quando a vitória por 1 a 0 sobre o Nottingham Forest confirmou a vaga na Liga dos Campeões, o Daily Mail Sport perguntou o quanto ele se orgulhava de um time tão jovem ter alcançado essa meta. Na resposta, mandou seus críticos 'se ferrarem'.

No empate de terça-feira com o Bournemouth, porém, as críticas foram mais fortes do que nunca.

Os torcedores vaiaram a decisão de substituir Cole Palmer aos 63 minutos e cantaram: 'Você não sabe o que está fazendo'. Não se sabe se Maresca havia sido informado pelo departamento médico do Chelsea de que Palmer só tinha condições de atuar por cerca de uma hora.

Quando o Chelsea chegou à final do Mundial de Clubes no verão, Maresca teria sido questionado sobre conceder uma entrevista presencial à imprensa escrita, mas recusou.

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Torcedores do Chelsea vaiaram a decisão de Maresca de substituir Cole Palmer aos 63 minutos contra o Bournemouth e cantaram: 'Você não sabe o que está fazendo'

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Houve um tempo em que Maresca avisou aos torcedores do Leicester que procuraria a saída se algum dia questionassem suas ideias. “No momento em que houver alguma dúvida sobre a ideia, no dia seguinte eu vou embora”, disse na época. Agora, deixou o cargo dois dias depois de ser duramente criticado em Stamford Bridge.

No fim, Chelsea e Maresca fizeram bem um ao outro, e a primeira temporada completa juntos trouxe sucesso. Seja visto como uma competição de verdade ou um projeto de vaidade da FIFA, o clube se tornou campeão do mundo e seguirá exibindo esse status no escudo da camisa.

Uma semana após o Chelsea conquistar o Mundial de Clubes, o Daily Mail Sport enviou uma mensagem a Maresca para agradecer pela ajuda na última temporada. Em resposta atenciosa, enquanto descansava com a família, ele disse esperar muitos outros bons momentos na próxima campanha.

Infelizmente para ele e para o Chelsea, os bons tempos não se repetiram.

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