Gols contra "bizarros" do Wolves não escondem a fúria de Mikel Arteta com os "hábitos horríveis" do Arsenal
A expressão de Rob Edwards dizia tudo ao aplaudir os torcedores do Wolves no Emirates. O lanterna da Premier League esteve a segundos de somar apenas o terceiro ponto na temporada, fora de casa contra o líder, mas um segundo gol contra na partida selou a nona derrota consecutiva da equipe.
Havia orgulho pela forma como o Wolves lutou e buscou o empate com a cabeçada de Tolu Arokodare nos acréscimos. Mas também houve muita dor quando Yerson Mosquera desviou para a própria rede o cruzamento de Bukayo Saka, e os jogadores do Wolves desabaram no gramado como se lhes tivessem cortado os fios.
O drama nos minutos finais mudou tudo para o Arsenal em um instante. O time caminhava para três pontos valiosos após uma atuação frustrante, garantidos de forma fortuita com um gol contra de Sam Johnstone, quando o escanteio fechado de Saka bateu na trave e desviou nas costas do goleiro antes de entrar. Muitos dos torcedores que deixavam o Emirates teriam apenas dado de ombros, mencionado o sétimo jogo em 21 dias e seguido em frente. Em vez disso, ceder o empate e depois buscar a vitória instantes mais tarde dá ao Arsenal um enorme impulso antes de uma semana livre e da visita ao Everton no próximo sábado.

Abrir imagem na galeria
Dois cruzamentos de Saka resultaram em gols contra do Wolves
"Hoje as coisas correram a nosso favor, então vamos ficar com os pontos e seguir em frente", disse Saka. "Em alguns momentos foi frustrante, para ser sincero, mas fomos recompensados. Agora temos uma pausa até a próxima semana e vamos aproveitá-la."
Saka foi a principal ameaça e o jogador que o Wolves não conseguiu neutralizar, mesmo com o Arsenal irregular e sem fluidez. Quando o time precisou, ele entregou qualidade com bolas paradas e jogadas em movimento. Enquanto Arteta mexia no banco em busca de melhorias, nunca houve dúvida de que Saka permaneceria em campo.
Antes desta noite, o Arsenal havia vencido 10 dos 11 jogos disputados no Emirates nesta temporada. Bayern de Munique, Atlético de Madrid e Tottenham estão entre os times superados com autoridade. Mas não o Wolves. Apenas o Manchester City de Pep Guardiola havia sido tão eficaz em travar e desacelerar o Arsenal quanto a equipe lanterna da Premier League, com apenas dois pontos em toda a temporada, conseguiu fazer aqui.
A frustração de Arteta era evidente, assim como a de seus jogadores. Martin Zubimendi, peça-chave para ditar o ritmo exigido pelo técnico, cobriu o rosto logo após ser substituído na tripla mudança do Arsenal na marca de uma hora. Até então, o time londrino havia mostrado pouca intensidade e fluidez. O Arsenal só foi acertar o alvo aos 66 minutos, e os passes para furar a defesa do Wolves saíam apressados e imprecisos. Zubimendi não conseguiu esconder a decepção.

Abrir imagem na galeria
Arteta mostrou frustração com a atuação do Arsenal no primeiro tempo e com a reação da equipe após abrir o placar
O lance decisivo veio de bola parada, mas o alívio de Arteta quase foi anulado pelo que aconteceu depois. O treinador se irritou especialmente com os dois ou três minutos antes do empate do Wolves, quando o Arsenal recuou à medida que os visitantes começaram a crescer no jogo. Mesmo sem oferecer grande perigo, o lanterna da Premier League viu Arteta se enfurecer com a passividade de seus jogadores na defesa da entrada da área. “Nós complicamos a partida pela forma como sofremos o gol, e isso foi inaceitável”, disse Arteta. “Hábitos defensivos horríveis. Ficou muito abaixo do nível exigido.”
Se isto foi um retrato de como o Arsenal reage à pressão da corrida pelo título, após sofrer um gol no fim na derrota para o Aston Villa no último fim de semana, Arteta não gostou do que viu. “Essa é a grande lição que temos de aprender”, concluiu. Mas o que aconteceu ali, quando o Arsenal recuou diante de um time cuja confiança deveria estar em baixa?

Abrir imagem na galeria
Mosquera cabeceou para a rede após cruzamento de Saka, depois de Jesus disputar a bola (AP)
Arteta disse que o Arsenal parou de jogar. “Na primeira oportunidade que tiveram, marcaram, e esse é o problema”, lamentou. “Ficamos aliviados porque conseguimos marcar no fim e vencer, mas precisamos melhorar nesse aspecto.”
A forma como aconteceu foi cruel para o Wolves e devastadora para Mosquera. Gabriel Jesus parecia pronto para finalizar o cruzamento de Saka, e Mosquera acabou mandando a bola para a própria rede de cabeça.
"No fim, a sorte decidiu o jogo e não esteve do nosso lado", refletiu Edwards. "Os rapazes deram tudo, e tenho muito orgulho deles, mas dói. Foi falta de sorte, mas eles fizeram por merecer. Se alguém me dissesse no início que marcaríamos três gols esta noite, eu aceitaria. Foram circunstâncias bizarras."

Abrir imagem na galeria