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A queda em desgraça de Payet após a aposentadoria e acusações de violência sexual: "Ele era um monstro, ele me fez sua escrava"

Dimitri Payet, de 39 anos, pendurou as chuteiras há apenas dois meses, publicando uma mensagem de despedida dirigida aos torcedores do Vasco da Gama após a rescisão de seu contrato. O francês, que foi jogador da seleção nacional e atuou por times como West Ham, Marseille, Nantes e St Etienne, agora enfrenta julgamento no Brasil por alegações de violência feitas por sua ex-companheira Larissa Ferrari.

O jogador, que estava em seus últimos dias como profissional, saiu após atuar em 75 jogos pelo Vasco. Ele encerrou um período intenso, marcado por momentos altos como a salvação no último dia da Série A de 2024, mas também por lesões que mancharam um final abrupto.

Um final turbulento, principalmente devido ao episódio citado no início e cujo processo judicial está agora a começar, conforme relatado pelo L'Equipe. O ex-internacional francês, que já está de volta com a família na região de Marselha, poderá enfrentar acusações criminais. Desde abril de 2025, ele é acusado de "violência física, psicológica e sexual" por Larissa Ferrari, uma advogada com quem manteve um relacionamento entre agosto de 2024 e março de 2025.

A queixosa explicou aos investigadores que sofria de "um transtorno de personalidade, caracterizado por hipersensibilidade" e alegou que o jogador de futebol se aproveitou disso para "extorquir-lhe emocionalmente e obter favores sexuais violentos e humilhantes", segundo um documento de 17 páginas escrito por ela própria.

Vários episódios sombrios

Ela também afirma que o relacionamento ficou sombrio após um episódio de ciúme e que sofreu um aborto espontâneo em fevereiro de 2025. "Por causa do comportamento dele, me senti emocionalmente violada. Durante o sexo, ele começou a me punir, me bater, a pisar no meu rosto, no meu corpo", diz ela. "Eu não tinha escolha, nem dignidade. Apenas uma imposição brutal e repugnante de um homem que acreditava ter o direito divino de me possuir, me abusar e me descartar", afirmou.

"Não tive escolha, nem dignidade. Apenas uma imposição brutal e repugnante por parte de um homem que acreditava ter o direito divino de me possuir, me abusar e me descartar. Embora o caso tenha sido inicialmente arquivado, o Ministério Público o reabriu por possíveis danos morais, aludindo a 'atitudes e comentários ofensivos e degradantes, além de atos de humilhação e manipulação'. Payet foi interrogado em 16 de abril de 2025 pela unidade policial especializada em violência contra a mulher em Jacarepagua. Ele reconheceu o relacionamento extraconjugal, mas negou qualquer agressão."

Também é explicado que a relação deles tomou um rumo macabro após um ataque de ciúmes do jogador do Vasco da Gama, e ainda revela que ela sofreu um aborto espontâneo em fevereiro de 2025, no auge da crise. "Por causa do comportamento dele, me senti emocionalmente violada. Durante o sexo, ele começou a me punir, a me bater, a pisar no meu rosto, no meu corpo", ela diz.

Em seu depoimento, ele explicou que se conheceram no Instagram, defendeu que o relacionamento era consensual e afirmou que as práticas sexuais "não convencionais" partiram de Ferrari. Ele também negou ter agredido fisicamente ela e disse que não sabia dos seus problemas psicológicos. De acordo com sua versão, ela queria se mudar para a França e, quando ele se recusou, ela teria ameaçado tornar públicas informações comprometedoras.

No dia 4 de dezembro, o promotor reabriu o caso por abuso psicológico, embora tenha se recusado a estendê-lo a outros crimes, uma decisão confirmada por um juiz em janeiro. A defesa de Ferrari, no entanto, fala em "dano físico" e "violência sexual", baseando-se em documentos, imagens e conversas. "Espero que ele seja acusado pelos outros dois crimes (sexuais e físicos). O maior dano psicológico que sofri vem da violência sexual", disse ela.

O ex-jogador nega tudo.

Payet nega veementemente as alegações. Enquanto isso, Ferrari apresenta sua versão dos fatos em um texto intitulado "De fã a refugiada, o começo de tudo", no qual afirma ser "economicamente estável" e não buscar "nem destaque nem fama": "Eu procurava algo infinitamente mais perigoso: amor".

De acordo com seu relato, a partir de dezembro de 2024, começaram os episódios "perversos, humilhantes e violentos", admitindo que ela "cedeu por amor quando ele a humilhava por prazer". "Ele já não era o homem que antes me abrigava e protegia; era como um monstro, um predador. Eu tinha me tornado sua escrava sexual", ela escreve neste documento, que seus advogados descrevem como escrito em "noites de agonia".

Ele não era mais o homem que um dia me acolheu e protegeu; ele era como um monstro, um predador. Eu me tornei sua escrava sexual.

O processo está em andamento. Em 3 de março, a defesa do ex-jogador recebeu uma intimação para responder por escrito e, em 26 de março, ele apresentou um documento de 64 páginas questionando "a falta de confiabilidade jurídica das declarações da suposta vítima" e enfatizando "a ausência de um exame médico forense" para comprovar o suposto dano.

Com base em conversas privadas, a defesa argumenta que houve "o consentimento expresso de Larissa e a ausência de dano moral", insistindo que se tratavam de "práticas não convencionais e consensuais", e requer "a absolvição sumária do acusado".

O juiz está agora a considerar o caso e decidirá se rejeita as acusações ou as mantém, o que pode levar a uma audiência preliminar. Entretanto, a queixosa insiste que a relação era "abusiva e tóxica" e afirma que ainda sofre as consequências: "Todos os dias, suporto a vergonha e a humilhação. Ninguém gosta de receber mensagens online ou na rua". "Espero que Dimitri seja condenado", conclui. "Quero que isto sirva de exemplo para todos aqueles que permanecem em silêncio perante o abuso."

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