A decisão ousada sobre Hugo Ekitike que o Liverpool precisa tomar
É difícil chamar de atacante esquecido uma contratação de verão de £79 milhões, mesmo em meio a uma onda de gastos de £450 milhões. Ainda assim, houve momentos em que Hugo Ekitike passou despercebido no ataque do Liverpool. Parece destinado a ficar à sombra; quando ganhou os holofotes, foi por uma expulsão infantil.
Seus gols, porém, costumam ficar em segundo plano. Basta olhar para os últimos dois sábados: Ekitike marcou dois gols em cada partida, tornando-se o jogador mais jovem do Liverpool a balançar as redes duas vezes em jogos consecutivos da Premier League desde Michael Owen, em 2001. Ainda assim, em ambas as ocasiões, o foco acabou sendo Mohamed Salah: após sua entrevista em Elland Road e sua reintegração contra o Brighton.
Após o bis de Ekitike, o Leeds reagiu na partida: o gol de Anton Stach pareceu decisivo, depois Dominik Szoboszlai recolocou o Liverpool em vantagem, antes de Ao Tanaka empatar aos 96 minutos.
Seguindo uma tendência, Ekitike começou a temporada com três gols em três jogos, e cada um deles abriu caminho para mais drama. Seu gol aos quatro minutos na Community Shield marcou um início fulminante pelo Liverpool, mas a equipe perdeu nos pênaltis. Depois, fez o primeiro gol da campanha da Premier League, embora a entrada decisiva de Federico Chiesa tenha sido necessária para vencer o Bournemouth, com Salah dando a palavra final. Em seguida, veio um jogo extraordinário em Newcastle: o gol de Ekitike não teve o caráter assombroso do gol da vitória de Rio Ngumoha, de 16 anos, aos 100 minutos.
Talvez tenha ficado um pouco mais compreensível que Ekitike quisesse os holofotes após marcar o gol da vitória na Copa da Liga contra o Southampton: tirar a camisa para exibi-la, já estando amarelado, foi, nas palavras de Arne Slot, “estúpido” e “desnecessário”.
Ainda assim, Ekitike ocupou uma posição curiosa nesta temporada. O reserva mais caro da Premier League tem parecido o melhor. E, em Anfield, também deu a impressão de ser de longe o centroavante mais completo, muitas vezes sacrificado em função de Alexander Isak.
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Mesmo com um terço de suas partidas na liga vindo do banco — e após perder outro jogo por suspensão sofrida contra o Southampton — apenas Erling Haaland e, de forma mais surpreendente, Igor Thiago têm atualmente mais gols na Premier League do que o francês. Entre os jogadores com pelo menos seis gols, só os atacantes de Manchester City e Brentford superam sua média de 0,72 gol por 90 minutos. E, ao contrário dele, eles também cobram pênaltis.
Ekitike marca em média a cada 124 minutos na Premier League; Isak tem apenas um golo, a cada 493 minutos. Não surpreende, portanto, a diferença clara nos resultados quando cada um começa: com o avançado mais barato, venceram sete de 10 jogos da liga e somaram 22 pontos. Com o homem de £125 milhões, ganharam apenas um de seis e conquistaram modestos quatro pontos.
Normalmente, a escolha tem sido entre os dois, mas apenas um dos gols de Ekitike — contra o Eintracht Frankfurt, na Liga dos Campeões — saiu com Isak em campo. Eles começaram juntos em apenas duas partidas: na Alemanha, quando Isak estava lesionado, e contra a Inter de Milão, quando o sueco teve atuação discreta.
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Parte disso passa pela condição física. Há poucas semanas, Slot observou que Isak tinha feito apenas um sprint acima dos 30 km/h. Já Ekitike, segundo a Opta, fez 25 corridas de alta intensidade só contra o Brighton. Ainda assim, na tentativa de colocar Isak no ritmo ideal, tanto Ekitike quanto o Liverpool acabaram prejudicados.
Em todos os indicadores, Ekitike tem sido claramente superior. Na Premier League, ele registra média de 3,11 finalizações por 90 minutos, contra 2,57 de Isak, além de 0,93 no alvo contra 0,55, com xG de 0,44 ante 0,37; Ekitike está acima do esperado em gols, enquanto Isak rende abaixo do seu xG. O francês participa muito mais do jogo, com média de 34,1 toques por 90 minutos, contra 22,8 do sueco. Ele toca mais na bola em todos os setores: no seu próprio terço final, no terço ofensivo, no meio-campo e na área.
Tudo isso pode mudar se Isak recuperar totalmente a forma física e voltar ao nível que mostrou no Newcastle. Isso talvez possa acontecer em parceria com Ekitike. As duas vezes em que começaram juntos foram em um 4-4-2 mais tradicional, em Frankfurt, e com um meio-campo em losango, em Milão.
Sem Cody Gakpo e Salah nas próximas semanas e com falta de pontas, há motivos para tentar essa formação novamente.
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No passado, Ekitike formou uma parceria de ataque bem-sucedida com Omar Marmoush na Alemanha. Ainda assim, contra Leeds e Brighton, brilhou como referência isolada no ataque. Somou 160 minutos nesses dois jogos e, mesmo assim, finalizou 12 vezes.
Se o rebaixamento de Salah ao banco indica que Slot precisou repensar seus planos ofensivos nesta temporada até aqui, Ekitike surge como motivo para uma segunda mudança de ideia.
O valor investido em Isak garantiu-lhe tratamento preferencial, mesmo com Ekitike apresentando um rendimento claramente superior. Mas, a cada golo, cresce a evidência de que o suposto suplente de luxo deve ser a primeira opção para comandar o ataque.