O dilema de Anthony Gordon no Newcastle: onde os críticos dizem que a estrela dos Magpies está falhando, por que Eddie Howe mantém a confiança no ponta em má fase de gols, o debate sobre Harvey Barnes... e por que pessoas do clube insistem que ele está a u
Quando Anthony Gordon cortou o cabelo na semana passada, a torcida do Newcastle nas redes se empolgou. A esperança era de que o novo visual, já que seu último gol em jogada na Premier League — e muito provavelmente seu último corte — tinham acontecido há um ano, trouxesse de volta seu poder de decisão.
No jogo contra o Wolves no domingo, porém, ele esteve bem menos incisivo do que a tesoura alguns dias antes. Chegou a 31 partidas consecutivas na elite sem marcar um gol com bola rolando. Foi substituído aos 67 minutos, sem nenhuma finalização e sem tocar na bola dentro da área.
Houve momentos nesta temporada em que Gordon jogou bem sem ser recompensado, mas não foi o caso desta vez. O Newcastle precisava de inspiração, e nem ele nem seus companheiros de ataque conseguiram oferecê-la. A equipe empatou em 0 a 0 com o pior time da divisão.
‘Hoje em dia, parece que só as estatísticas importam, e isso estragou um pouco o futebol’, disse Gordon no início deste mês, em resposta às críticas. ‘Você pode jogar bem, fazer muito pela sua equipe, mas, se não marcar ou der uma assistência, dizem que você não jogou bem.’
Ao analisar apenas um jogo, ou até uma sequência um pouco maior de partidas, ele tem razão: os veredictos acabam sendo dados apenas pelo prisma dos resultados e das 'participações em gols'. Isso é reativo e míope.
No entanto, um ano é um período longo demais para não merecer análise, sobretudo quando um jogador já mostrou ser capaz de muito mais. Em 2023-24, Gordon somou 11 gols e 10 assistências na Premier League. Foi eleito o jogador da temporada do Newcastle. Essa é a frustração dos torcedores: justamente quando o time precisa de gols, o ponta inglês, que já provou seu valor, parou de render.
Anthony Gordon exibe novo corte de cabelo antes do duelo de domingo com o Wolves, mas seu futebol ainda seguiu sem poder de decisão

Gordon não marca um gol pelo Newcastle na Premier League com bola rolando desde janeiro de 2025

Recentemente, sua titularidade tem sido questionada pelos torcedores, que defendem Harvey Barnes pela esquerda, sua posição preferida. Barnes soma 11 gols na temporada, mas vem atuando pela direita, e seu retorno tem encoberto a falta de produção mais ampla dos pontas de Eddie Howe: Jacob Murphy marcou dois gols em 25 jogos, e Anthony Elanga nenhum em 27.
Ainda assim, entendo por que Howe segue escalando Gordon como titular, e na posição em que o jogador se sente mais confortável. Se o Newcastle quiser ser o time que o treinador deseja, precisa ter Gordon na equipe.
Seu nível máximo de energia para ditar o ritmo e agressividade ofensiva é superior ao de qualquer outro jogador de lado, e ele compensa mais do que os demais a mudança de estilo entre Nick Woltemade e Alexander Isak. Howe vê seus jogadores todos os dias, e há uma razão para Gordon estar em seu time ideal, assim como no de Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra.
Pessoas próximas ao jogador de 24 anos afirmam que não há preocupação com seu foco, ao contrário da última temporada, quando uma transferência para o Liverpool fracassou em meio aos problemas do Newcastle com o PSR. Fontes dizem que a irritação — após o clube cogitar sua venda — já foi superada.
Também não há fundamento nas recentes notícias sobre um interesse de Arsenal e Liverpool para janeiro. Gordon está focado no Newcastle e, o que não é nada mau para o clube, na Copa do Mundo daqui a cinco meses.
"Ele quer jogar bem e marcar gols, e está determinado a fazer isso sempre que entra em campo", disse uma fonte. "Não há qualquer problema de felicidade, atitude ou empenho. Talvez esteja com um pouco menos de confiança, mas isso pode mudar com um jogo ou um gol."
Essa tem sido a mensagem sobre Gordon durante toda a temporada. Ele marcou oito vezes, seis delas de pênalti, incluindo os dois gols que fez na liga. Os pênaltis continuam sendo momentos decisivos, como ficou claro para mim nesta semana.
Isso é justo, e Gordon dedicou horas a uma técnica com aproveitamento de 100%. Também é justo destacar sua disponibilidade em meio a um calendário exaustivo — apenas três companheiros começaram mais jogos nesta temporada. Mas a regularidade em estar à disposição não se traduziu em regularidade de desempenho. Em resumo, houve momentos bons e outros nem tanto. Para um jogador que quer ser considerado de elite, isso está longe de ser suficiente.
Gordon dedicou horas ao aperfeiçoamento da cobrança de pênaltis e tem 100% de aproveitamento nesta temporada

Ultimamente, Gordon tem cortado para o meio em excesso, com cautela demais e pouca criatividade

O técnico do Newcastle, Eddie Howe, vê seus jogadores todos os dias e há um motivo para Anthony Gordon estar em seu melhor XI, assim como no de Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra

No seu melhor, Gordon inspira os companheiros e desestabiliza os adversários, sendo decisivo para impor o ritmo coletivo com um drible ou desarme logo no início. As maiores e melhores noites do Newcastle sob o comando de Howe muitas vezes foram marcadas pela intensidade de Gordon.
Recentemente, porém, tem faltado objetividade: muita movimentação para dentro, cautela em excesso e pouca criatividade. Ele é melhor do que tem mostrado, embora tenha tido tempos ou fases de grande impacto. No primeiro tempo do empate por 2 a 2 com o Chelsea, em dezembro, foi uma ameaça constante. É por isso que Howe o mantém como titular: a convicção de que, no seu melhor nível, ele está acima dos demais.
Mas também há uma razão para Gordon ter sido substituído em 13 de suas 15 partidas como titular na liga. Em 2023/24, ele completou 26 jogos. Nesta temporada, porém, caiu de rendimento em muitas partidas após começos promissores. Ainda assim, isso reforça o ponto: a intenção está lá, mas a execução nem tanto.
Gordon pode gostar do novo corte de cabelo que vê no espelho, mas, sendo honesto, o jogador por trás dele ainda não mostra sua melhor forma.