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Os oito jogadores que não podem se dar ao luxo de ver o Man Utd ‘desperdiçar’ outra temporada

Parte grito de motivação, parte aviso: Darren Fletcher ainda não havia sido informado do fim de seu período como técnico interino do Manchester United, mas parecia pressentir isso. Em sua mensagem de despedida aos jogadores após a eliminação na FA Cup, deixou claro o alerta para o pior cenário: “Não desperdicem a temporada”, disse.

Essas palavras também poderiam ter sido dirigidas à tribuna dos diretores, já que, se a campanha do United terminar em fracasso em todas as frentes, grande parte da culpa recairá sobre a direção, que primeiro nomeou Ruben Amorim e depois manteve sua aposta nele no verão passado. Ou, como defendem os admiradores de Amorim — um grupo que talvez não tenha analisado a fundo sua passagem por Old Trafford —, por não tê-lo mantido ao menos até junho. A sensação é de que ele foi demitido sem qualquer planejamento de sucessão. Os dirigentes, que tinham um técnico com apenas 31% de vitórias na Premier League, de alguma forma não pareceram considerar quem viria depois, além de um favorito da torcida para um possível interinato.

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Enquanto o United avalia os méritos de Ole Gunnar Solskjaer e Michael Carrick, dois de seus três técnicos na turbulenta temporada 2021-22, é possível dizer que esta pode ter sido a quarta temporada desperdiçada em cinco. Talvez 2023-24 não entre nessa conta, já que o United conquistou a FA Cup — acredita-se que Fletcher tenha tido grande parte do mérito, ao convencer Erik ten Hag a abandonar táticas mais imprudentes em favor de uma abordagem pragmática e decisiva na final —, mas, fora isso, a campanha foi decepcionante. Não houve redenção em 2021-22 nem em 2024-25, ambas marcadas pela demissão do treinador no meio da temporada.

Também em 2025-26, e ainda assim a temporada pode terminar com o United de volta à elite europeia. “Estes jogadores têm capacidade para se classificar para a Liga dos Campeões”, insistiu Fletcher. E a oportunidade existe: apesar das vantagens desperdiçadas, dos pontos perdidos contra os sete últimos colocados, da incapacidade de manter a baliza inviolada e de ter vencido apenas três jogos desde o fim de outubro. Se o United tivesse sido sequer um pouco melhor, estaria entre os cinco primeiros. Houve a chance de se distanciar do pelotão atualmente apertado entre o quinto e o 15º lugar.

Até mesmo terminar entre os quatro ou cinco primeiros não é sucesso para o Manchester United, argumenta Fletcher: "O clube deveria conquistar títulos e disputar a Premier League"

Mas o uso direto da palavra “desperdício” foi pertinente. Isso tem sido uma constante. O United gastou cerca de £1,8 bilhão em contratações desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson e aproximadamente £100 milhões na contratação e demissão de treinadores e de suas comissões técnicas. Invariavelmente, o clube termina abaixo na classificação real da liga em relação à posição que ocupa na tabela de folha salarial. A Ineos, que demitiu 450 pessoas e gastou £450 milhões em transferências desde que Sir Jim Ratcliffe se tornou coproprietário, tem combinado corte de custos com desperdício.

Mas as palavras de Fletcher foram direcionadas sobretudo aos jogadores que ele comandou em dois jogos. “Esse seria o desafio que eu lançaria”, disse. Ele falou sobre evoluir como equipe, assumir responsabilidades e mostrar o “verdadeiro caráter” diante da adversidade.

Ele traçou um contraste com 2021-22, uma temporada que perdeu força no fim. “Havia muitos jogadores em fim de contrato e muitas dinâmicas diferentes”, disse. Mas ainda há situações individuais. Agora, Harry Maguire e Casemiro ficam sem contrato no verão: o inglês, ao que tudo indica, tem o incentivo de um novo acordo, mas o brasileiro, que não receberá a mesma oferta salarial, parece destinado a sair.

Entre os jogadores com contratos mais longos, Benjamin Sesko ao menos deu um passo à frente, com três gols em dois jogos sob o comando de Fletcher. Matheus Cunha, irregular e com quatro gols na temporada, ainda precisa provar seu valor. Dois reforços de 2024, Manuel Ugarte e Joshua Zirkzee, também podem querer mudar a percepção de que nenhum dos dois está à altura. Um terceiro, Leny Yoro, ainda não correspondeu à reputação que tinha antes de chegar, mas uma linha de quatro defensores pode favorecê-lo mais do que a defesa com cinco de Amorim.

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Enquanto isso, Kobbie Mainoo desperdiçou 14 meses sob o comando de Amorim — ou os teve desperdiçados por circunstâncias alheias — e precisa de minutos no time principal para recuperar ritmo e forma. Ele é um dos vários jogadores que podem querer provar que merecem papéis centrais sob o novo treinador. No caso de Bruno Fernandes, a dinâmica pode ser inversa: o United talvez tenha de convencê-lo de que vale a pena ficar pelo futuro do clube.

Mas tudo isso significa que ainda há muito em jogo em Old Trafford — e não apenas para os jogadores. Houve cânticos contra os Glazers durante a derrota para o Brighton na FA Cup, e seu papel na criação desse mal-estar não pode ser ignorado. Mas, para adaptar o antigo canto sobre Solskjaer, agora é Ratcliffe quem está no comando. Assim como Amorim, o bilionário não fazia parte do problema quando chegou. Isso mudou rapidamente. “Jim não consegue consertar isso”, dizia uma das faixas em Old Trafford.

Ratcliffe deve querer mudar essa percepção. Mas existe a possibilidade de que cada temporada sob seu comando até agora seja considerada uma temporada desperdiçada.

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