Pontos de discussão da WSL: a polêmica envolvendo Tullis-Joyce e o retorno de pesadelo de Neville
A cena de treinadores reunindo a equipe para instruções táticas enquanto a goleira recebe atendimento médico tem se tornado cada vez mais comum na WSL, mas ganhou contornos particularmente controversos após o empate por 0 a 0 entre Arsenal e Manchester United, especialmente quando a defensora visitante Dominique Janssen pareceu admitir, em entrevista à Sky Sports, que isso foi feito de propósito. Janssen disse: “Phallon [Tullis-Joyce] caiu para que pudéssemos discutir mudanças táticas”, ao ser questionada sobre como o United se adaptou após ficar com 10 jogadoras. Mais tarde, Marc Skinner afirmou que Tullis-Joyce havia sentido algo e precisava de atendimento, mas Renée Slegers disse que a aparente perda de tempo foi “frustrante para as jogadoras” e acrescentou: “Há muitas pessoas investindo muito para vir nos assistir, no estádio e pela TV. Acho que o produto precisa ser atraente e esta provavelmente é uma das áreas que reduzem um pouco o entretenimento.” Tom Garry
A pausa de inverno pouco afetou o ritmo do Manchester City, que manteve seu dinamismo na vitória por 2 a 0 sobre o Everton sob o comando de Andrée Jeglertz. O City já marcou 10 gols a mais do que qualquer outra equipe na WSL, e os números de domingo confirmam seu domínio ofensivo: 32 finalizações, 13 no alvo e xG de 4,27. O retorno de Kerolin à boa forma chamou especialmente a atenção. Com Bunny Shaw em um dia incomumente discreto diante do gol, a brasileira assumiu o protagonismo, deu velocidade ao ataque e causou problemas constantes ao Everton. Embora Shaw não tenha balançado as redes, sua sintonia com Vivianne Miedema está cada vez mais afinada, e a dupla combinou com qualidade no segundo gol do City. A solidez defensiva do Everton também ficou evidente, com Courtney Brosnan brilhando mais uma vez: a goleira irlandesa fez 11 defesas para manter o placar em nível respeitável. Sophie Downey
O novo treinador do London City Lionesses, Eder Maestre, pediu que sua equipe desenvolva mais uma “mentalidade vencedora” depois de deixar pontos pelo caminho em um empate sem gols com o lanterna Liverpool. A equipe recém-promovida não conseguiu acertar nenhuma finalização no alvo no BrewDog Stadium e perdeu a chance de ficar a três pontos do Manchester United. Maestre admitiu estar decepcionado com sua estreia no comando e prometeu melhorar a postura geral do elenco. Ele disse: “A sensação não é boa, obviamente. Claro que queremos vencer, viemos aqui para vencer. A primeira coisa que precisamos construir é a mentalidade de vencer todos os dias. É um pouco decepcionante não conseguir o resultado que queríamos.”
Rita Guarino e Estelle Cascarino tiveram uma lição em Kingsmeadow. A internacional francesa estava pronta para estrear pelo West Ham no intervalo, mas, após um atraso considerável, foi impedida de entrar por causa de um brinco que não podia ser removido. A situação surpreendeu a nova treinadora, já que Cascarino havia jogado com a joia coberta por fita na Itália e na Liga dos Campeões, mas a arbitragem aplicou a regra à risca. O incidente pouco ajudou o West Ham, que viveu uma tarde para esquecer e sofreu em um primeiro tempo avassalador diante de um Chelsea renovado. Nesta altura da temporada, os Blues costumam crescer, e os quatro gols marcados antes do intervalo deixaram clara a intenção da equipe de Sonia Bompastor de reduzir a vantagem de seis pontos do City na liderança.
O regresso de Ashleigh Neville roubou a cena na vitória do Tottenham por 1 a 0 sobre o Leicester, decidida por um gol contra da defensora poucos dias após sua saída dos Spurs. Após quase uma década e 191 jogos pelas Lilywhites, Neville voltou imediatamente ao seu antigo estádio em sua estreia pelo Leicester e, no início, pouco errou. Ela afastou os primeiros perigos e ainda ameaçou marcar, chutando para fora de 25 jardas após um passe errado. O momento decisivo veio antes do intervalo: o escanteio fechado de Eveliina Summanen gerou confusão, Neville se chocou com a goleira do Leicester, Olivia Clark, e a bola desviou em sua cabeça antes de entrar. Foi o único gol da partida. Ao apito final, houve demonstrações de apoio, com o Tottenham homenageando sua veterana enquanto os torcedores cantavam seu nome.
A vitória do Aston Villa por 2 a 1 sobre o Brighton foi definida menos pelos gols do que pela reação após um revés precoce. Ao tentar sair jogando desde a defesa, a goleira Sabrina D’Angelo entregou a posse diretamente para Fuka Tsunoda, do Brighton, que aproveitou para colocar as visitantes em vantagem. Longe de se abalar, o Villa mostrou controle emocional e aumentou a intensidade para virar a partida com dois gols em rápida sequência. Foi a primeira vez desde março de 2025 que o Villa venceu um jogo da WSL após sofrer o primeiro gol, um claro sinal de evolução. Natalia Arroyo elogiou a resiliência da equipe: “O importante é o que você faz depois de um erro. Queremos ser corajosas, assumir esse risco; as jogadoras mostraram coragem com e sem a bola, e conseguimos construir três pontos importantes.”
Imagem de capa: [Composição: Guardian Pictures; WSL/Getty Images; Offside/Getty Images; Action Plus/Shutterstock]