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Caos e drama tardio de Rangers e Celtic mostram que nenhum dos dois é favorito ao título

Foi um desespero na pequena área que talvez resuma uma época inteira. Depois de Reo Hatate rematar rasteiro para a esquerda e de Jack Butland defender o penálti, o dérbi Old Firm ficou em suspenso numa tarde de fogo e caos que mudou de rumo. Mas, à terceira tentativa, Hatate empurrou um empate crucial para dentro da baliza, garantindo um ponto ao Celtic e negando os três ao Rangers, enquanto deixava um vencedor claro. Com nove jogos por disputar, a vantagem volta a ser do Hearts.

Uma reação furiosa do Celtic no segundo tempo, com dois gols, manteve viva a sua luta em um dia em Ibrox em que nenhum dos clubes podia se dar ao luxo de perder. Foi um golpe duríssimo para o Rangers, mas, ao apito final, o time de Danny Rohl não tinha do que reclamar. O Celtic expôs as fragilidades do adversário, assim como o Rangers havia evidenciado as suas próprias, depois do surpreendente doblete de Youssef Chermiti deixar os donos da casa totalmente no controle antes do intervalo.

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Youssef Chermiti marcou um dos grandes gols do Old Firm com uma bicicleta logo no início (REUTERS)

Assim, o Hearts passa a ter seis pontos de vantagem sobre o Rangers, com o Celtic mais dois pontos atrás, mas com um jogo a menos. O resultado também foi positivo para o Motherwell, cuja forma atual é bem melhor do que a dos dois clubes do Old Firm. A equipe está a dois pontos do Celtic, igualmente com um jogo em atraso, e ainda tem muitos pontos em disputa contra os times acima na tabela, à medida que a corrida pelo título da Premiership se aproxima do split decisivo da temporada.

Por enquanto, foi mais um exemplo de por que o Hearts está perto de se tornar o primeiro clube fora do Old Firm a conquistar o título desde 1985 — ano em que Sir Alex Ferguson, que assistiu ao jogo em Ibrox após estar em Tynecastle no sábado, venceu com o Aberdeen.

O Rangers foi sensacional no primeiro tempo, com uma atuação que indicava estar pronto para a batalha. No apito final, porém, a equipe parecia perdida, sem confiança e deixando o controle do jogo escapar. “Foi extraordinário — mas futebol é sobre 95 minutos, não 45 ou 50”, disse Rohl, sem conseguir esconder a decepção.

Depois do intervalo, o Celtic fez ao Rangers o que o Rangers lhes tinha feito desde o início. Martin O’Neill trocou o apagado Alex Oxlade-Chamberlain e o igualmente ineficaz Junior Adamu por Hatate e Sebastian Tounekti, empurrando Daizen Maeda para a frente. A partir do primeiro remate enquadrado, aos 50 minutos, a equipa de O’Neill transformou-se: agressiva, a jogar no pé da frente e a romper após ganhar as segundas bolas. Cercou o Rangers e forçou alívios desesperados. A maré já tinha virado quando Kieran Tierney apareceu para cabecear, na sequência do cabeceamento de Benjamin Nygren, aos 56 minutos.

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Martin O'Neill disse que sua equipe poderia 'facilmente' ter seguido em frente para vencer a partida (Reuters)

“Fomos extremamente dominantes”, disse O’Neill. “Você se pergunta de onde veio aquele primeiro tempo, ou por que não conseguimos encaixar duas ou três trocas de passes. Não poderíamos ter começado pior.” No meio da semana, Luke McCowan, do Celtic, havia irritado o Rangers ao afirmar que “ninguém naquela liga nos chega perto” quando a equipe está em sua melhor forma, mas no início do jogo o Celtic não conseguiu sequer se aproximar do rival.

A intensidade magnífica apresentada pelo Rangers já não serve de consolo para Rohl. Muito menos para Chermiti, autor de mais dois golos decisivos em jogos grandes — um pontapé acrobático espetacular e uma finalização elegante na área — que colocaram o Rangers no controlo do dérbi e no caminho para a 11.ª vitória consecutiva em Ibrox. Desde o apito inicial, o Rangers sufocou o Celtic, com Mikey Moore e Nico Raskin a darem dinâmica e energia ao meio-campo para dominar e criar superioridade numérica. “Toda a gente viu como o Rangers jogou”, disse Rohl. “Acho que este é o nosso padrão para o futuro, não apenas 50 minutos.”

Chermiti, porém, também expôs a fragilidade da equipe. Seu chute de bicicleta após cruzamento de Andreas Skov Olsen foi sublime, um dos melhores gols já vistos no Old Firm, com ecos do que Scott McTominay marcou contra a Dinamarca. O segundo gol do atacante foi instintivo e executado com inteligência, enquanto o grito de “Chermiti marca de novo” ecoava em um Ibrox em festa; foram seus terceiro e quarto gols contra o Celtic na temporada, somados ao hat-trick diante do Hearts duas semanas atrás. Mas o jovem de 21 anos se abateu após perder a bola de forma displicente, de costas para o gol. Rohl repreendeu o atacante pelo toque de efeito, ao perceber a mudança de momento.

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Chermiti marcou dois golos brilhantes, mas o Rangers acabou por perder a confiança (Getty Images)

O’Neill também sentiu isso. "Os jogadores mostraram caráter para reagir e achei que dominámos todo o segundo tempo, a ponto de o público talvez se virar contra os próprios jogadores."

Os adeptos do Rangers já tinham visto este filme antes. A equipa estaria agora acima do Hearts se não tivesse perdido pontos fora de casa contra Livingston e Hibernian nas últimas semanas, além de desperdiçar aqui mais uma vantagem de dois golos. A irregularidade voltou a cobrar o seu preço.

Apesar da desvantagem ao intervalo, O’Neill viu o suficiente na exibição do Celtic no segundo tempo e nas oportunidades criadas — com Butland a negar mais uma cabeçada de Maeda e uma chance para McCowan após uma jogada fluida — para acreditar que ainda poderiam alcançar o Hearts. O Celtic acabou por se contentar com um ponto depois de a cabeçada de Maeda tocar na mão de Dujon Sterling à queima-roupa, antes de Hatate assumir a marca do pênalti e empatar na terceira tentativa.

“Ainda não estamos fora”, insistiu O’Neill. “Se o jogo tivesse terminado ao intervalo, pelo que fizemos no primeiro tempo, parecia que estávamos muito longe. Mas no final, pela forma como jogámos, sobretudo aqui em Ibrox, ainda há muito coração e vontade para tentar ganhar o título.” Ainda assim, foram os Hearts que acabaram a celebrar o drama dos minutos finais.

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