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Lisandro Martínez pode ser o trunfo do Manchester United no meio-campo?

Neste momento, a fragilidade no meio-campo do Manchester United é tão evidente quanto dizer que a grama é verde ou que o teto de Old Trafford tem goteiras. Já deixou de ser análise para se tornar um fato.

Também está claro que não haverá reforços de peso em janeiro. Um relatório questionável afirma que os Red Devils estudam a chegada de um "meio-campista secreto" neste mês para ampliar as opções de Michael Carrick no setor, mas não surpreenderia ninguém se a janela de inverno terminasse sem novidades para a posição.

Cada uma dessas opções traz um grande sinal de alerta. O veterano Casemiro pode até ter deixado para trás uma fase terrível, mas ainda representa um risco. Manuel Ugarte nunca convenceu por mais de cinco minutos de cada vez, e a temporada de Kobbie Mainoo ainda não deslanchou após um período difícil sob o comando de Ruben Amorim, embora tenha jogado os 90 minutos completos na vitória no dérbi e passado segurança do início ao fim.

Quanto a Bruno Fernandes, é difícil dizer se ele ainda entra nas contas, com Carrick recolocando-o em sua função original de camisa 10, na qual brilhou contra o Manchester City.

O novo técnico interino tem um leque pouco animador à disposição, mas há outra opção, um possível azarão no radar: ele pode recorrer a Lisandro Martínez.

O argentino de baixa estatura foi uma das revelações desde que Erik ten Hag o contratou do Ajax. Após superar as críticas pela altura e consolidar a reputação de zagueiro combativo, viveu uma forte queda de rendimento na segunda temporada antes de ficar fora por longo período devido a lesão.

Agora, ele participou dos últimos 11 jogos do United e deixou boa impressão. Martínez desempenhou várias funções no conturbado sistema defensivo de Amorim, atuou nas duas partidas mal-sucedidas de Darren Fletcher no comando e foi dominante contra Erling Haaland no primeiro jogo de Carrick de volta ao banco.

Em meio à sua seleção caótica da equipe, Amorim deu a ele alguns minutos em um duplo volante, e em certos momentos aquela pareceu ser a melhor posição para o jogador. Isso deu razão aos torcedores nas redes sociais que pedem essa mudança quase desde sua chegada a Old Trafford, e pode ter representado um momento decisivo para o atleta.

Aos 27 anos, ele demonstra de forma consistente uma capacidade de passe extraordinária, e as estatísticas reforçam sua adequação para a função nesse aspecto.

Seus números são afetados pela pouca minutagem, mas, no momento da publicação, apenas Ayden Heaven tem um aproveitamento de passes por 90 minutos superior ao de Martínez, que também fica atrás apenas de Noussair Mazraoui e Bruno Fernandes em passes progressivos por 90 minutos (dados do FBref).

Martinez recebe a bola com frequência no terço defensivo e a utiliza com inteligência, mas o dado mais animador é que, por 90 minutos, lidera com folga o ranking de distância de condução progressiva.

Com qualidades defensivas indiscutíveis, tudo indica um jogador bem preparado para atuar como um meio-campista central dinâmico, avançando com a bola e encontrando seus companheiros com passes positivos de forma consistente.

Mas, da mesma forma, aqueles minutos no meio-campo sob o comando de Amorim podem ter sido um falso sinal. Num claro exemplo de que o futebol é muito mais do que números numa planilha, dois treinadores efetivos consecutivos evitaram dar a ele muitos minutos no meio-campo.

Amorim pode ter recorrido a utilizá-lo ali nos últimos momentos do seu ciclo, talvez tanto para enviar um SOS à equipa de recrutamento quanto por qualquer outra razão. Mas a resistência de Ten Hag em usá-lo no meio-campo diz mais: o neerlandês já o conhecia do Ajax e rapidamente percebeu a exigência da Premier League.

Ele pode até ter testado Martínez no meio-campo na Eredivisie, mas concluiu que ele não tinha a capacidade física necessária para render ali. Essa decisão certamente foi influenciada pela intensidade implacável do futebol inglês e, talvez, também por um histórico irregular de lesões. O 'Açougueiro' pode ser feroz, mas já perdeu quase 100 jogos por clube e seleção desde que chegou ao United.

Por pior que tenham terminado as respetivas passagens pelo clube, é razoável concluir que Ten Hag e Amorim conhecem as exigências do futebol de alto nível. E, considerando que ambos sofreram muito no meio-campo, tinham Martínez à disposição e quase não lhe deram oportunidades nessa posição, isso diz muito.

Um treinador pode estar errado — o impasse entre Amorim e Mainoo continuará sendo gritante —, mas quando dois concordam em abandonar o que, à primeira vista, parecia uma experiência válida, isso soa definitivo.

Ainda assim, Carrick assume um clube em caos como treinador interino e com prazo definido, algo que, de forma curiosa, lhe dá certa carta branca. Por isso, seria perfeitamente compreensível apostar em Martínez no meio-campo. Se tiver coragem, pode resolver de graça o problema do United no setor — mas, se não arriscar, talvez desta vez seja melhor confiar nos especialistas.

Imagem em destaque: Alex Livesey via Getty Images

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