O único jogador da história do futebol a receber nota 0/10 do L’Équipe
O L’Équipe é famoso pelo rigor nas notas dos jogadores, e Lionel Messi e Neymar estão entre os poucos atletas na história do futebol a receber a mítica nota 10/10.
Mas tirar nota 0/10 é mais difícil do que você imagina. Na verdade, é uma distinção nada desejada que apenas um jogador de futebol recebeu na história do tradicional jornal esportivo francês.
É evidente que um jogador pode ter uma atuação desastrosa em campo, daquelas para esquecer, e ainda assim normalmente recebe pelo menos nota um ou dois.
Por exemplo, na final da Liga dos Campeões de 2025, o ala Federico Dimarco recebeu nota 1/10 por sua atuação na humilhante derrota da Inter por 5 a 0 para o PSG. Outros sete titulares receberam 2/10.
Parece que a nota zero fica reservada para algo que vai além de uma atuação ruim: uma falha moral.
Por exemplo, na temporada passada, o técnico do Lyon, Paulo Fonseca, tornou-se apenas a segunda pessoa a receber essa pontuação.
Isso aconteceu porque ele peitou e gritou no rosto de um oficial da partida, que havia assinalado um pênalti nos minutos finais com auxílio do VAR contra sua equipe — incidente que também rendeu ao técnico português uma suspensão quase sem precedentes de nove meses à beira do campo.
O meio-campista brasileiro Wendel foi o único jogador a receber a nota, ainda em 2008.
Wendel viveu seus melhores anos no Bordeaux no fim dos anos 2000. Fez mais de 200 jogos pelo clube, contribuiu regularmente com gols e assistências e foi peça-chave da equipe campeã da Ligue 1 sob o comando de Laurent Blanc.
Ele não era um jogador particularmente violento, tendo recebido apenas um cartão vermelho em seis anos no Les Girondins, mas foi inesquecível.
Expulso num confronto de ânimos exaltados com o Grenoble em setembro de 2008, Wendel fez uma entrada especialmente violenta sobre Albert Baning, recebeu cartão vermelho direto, suspensão de três jogos e nota 0/10 do L’Equipe.
Temos de admitir que esperávamos algo pior quando vimos o lance. Foi uma entrada duríssima, sem dúvida, claramente para cartão vermelho.
Mas será que isso merece mesmo ser destacado isoladamente nos últimos 40 anos do futebol? Não temos tanta certeza. Tudo indica que infrações anteriores pesaram nessa decisão.
“O que está acontecendo com o policial brasileiro?”, escreveu o repórter do L’Equipe Bernard Lions em suas notas da partida.
Um breve aparte: trata-se de uma tradução do Google a partir do francês original (“policé brésilien”).
Investigamos essa expressão específica, mas não encontramos nada. Só podemos supor que seja um idiomatismo bastante peculiar do futebol francês, com o sentido de algo como "jogador de imposição".
(Especialistas em futebol francês, entrem em contato — gostaríamos muito de ter uma resposta definitiva sobre isso.)
"Brilhou no ano passado, mas nesta temporada é apenas uma sombra do que já foi", continuou Lions.
"Depois de lesionar involuntariamente, mas com gravidade, Abdoun, do Nantes, em 24 de agosto (2 a 0), ele cometeu ontem uma entrada muito dura no joelho de Baning, que resultou em cartão vermelho direto aos 53 minutos. Inaceitável."
Está aí.
Você pode ter uma atuação desastrosa. Marcar dois gols contra ou desperdiçar uma sequência de chances claras diante do gol, e o L’Equipe ao menos vai recompensar isso com uma nota.
Mas, se aplicar uma entrada perigosa para quebrar a perna, vai levar nota zero.