Liverpool perdeu o encanto — o empate sem gols, desesperadamente sem brilho, com o Leeds resumiu o mal-estar crescente que afeta a equipe de Arne Slot desde a conquista do título, escreve Oliver Holt
No primeiro dia de 2025, a tabela da Premier League mostrava o Liverpool com seis pontos de vantagem sobre o Arsenal na liderança. O time vivia o auge de uma temporada dourada. Já havia marcado 45 gols. O novo técnico, Arne Slot, amenizava a dor dos torcedores do Liverpool após a saída de Jürgen Klopp.
No primeiro dia de 2026, o Liverpool arrancou um empate sem brilho e muito apagado com o Leeds United, resultado que o deixou 12 pontos atrás do Arsenal e sob ameaça de sair do G4. O time também já não empolga como antes. Marcou apenas 30 gols nesta temporada, e Mohamed Salah, por tanto tempo seu principal nome, perdeu espaço.
A partida resumiu o mal-estar crescente que os aflige desde a conquista do título. Uma das principais contratações, Alexander Isak, está fora por lesão de longa duração. A outra, Florian Wirtz, pouco apareceu contra o Leeds e foi substituído no meio do segundo tempo.
Também seria errado ignorar o impacto que a morte trágica de Diogo Jota, antes do início desta temporada, teve sobre seus companheiros de equipe. A ausência de Jota é profundamente sentida, e alguns jogadores do Liverpool foram abertos ao admitir como têm enfrentado dificuldades para lidar com isso. Isso não pode ser simplesmente descartado como um fator na perda de domínio da equipe.
O Liverpool merecia pelo menos um ponto, mas sofreu nos minutos finais diante de um Leeds em evolução, que passou dezembro invicto e empatou em 3 a 3 com a equipe de Slot em Elland Road no mês passado. O resultado não foi acaso: foi um sinal de que a magia deixou Anfield.
O Liverpool melhorou em relação ao comum nesta temporada, mas por pouco. À medida que a disputa pelo título ganha forma e Arsenal e Manchester City ameaçam se desgarrar do pelotão, os Reds estão longe desse nível. Contra o Leeds, o time pareceu sem brilho, previsível e longe da fluidez e da confiança de antes.
Liverpool fica no 0 a 0 sem brilho com o Leeds em Anfield nesta quinta-feira

Foi mais uma noite frustrante para a equipe de Arne Slot, e a magia parece ter deixado Anfield

Na verdade, foi o Leeds quem criou as melhores chances nos minutos finais. Seu atacante em boa fase, Dominic Calvert-Lewin, ex-jogador do Everton e que adoraria impor uma derrota ao Liverpool, balançou as redes no fim, mas o gol foi anulado por impedimento.
O Leeds chegou a Anfield embalado por um fim de ano impressionante, terminando dezembro invicto em uma sequência de cinco jogos sem perder, que incluiu vitórias sobre Chelsea e Crystal Palace, além de um empate por 3 a 3 com o Liverpool em Elland Road.
Calvert-Lewin vinha sendo peça-chave nessa sequência, com sete gols em seis jogos, mas o técnico do Leeds, Daniel Farke, optou por deixá-lo no banco para preservar um jogador que sofreu muito com lesões nos últimos anos.
O Liverpool estava sem Mohamed Salah, convocado pelo Egito para a Copa Africana de Nações. O clube também não contou com o treinador de bolas paradas, que deixou a equipe de forma repentina na semana passada após um início de temporada pouco convincente nesse setor.
Nenhuma equipe da elite sofreu mais gols em bolas paradas nesta temporada do que o Liverpool, que havia concedido 12 antes da noite passada. Da mesma forma, apenas o Manchester United marcou mais gols em bolas paradas do que o Leeds, que já havia feito 12 nesta temporada.
O jogo começou de forma discreta. Foram precisos 15 minutos para que qualquer uma das equipes criasse algo que pudesse ser considerado uma chance. Ibrahima Konaté lançou a bola por cima da defesa do Leeds para Hugo Ekitike, e Ekitike pareceu ser puxado por Jaka Bijol.
Enquanto o Liverpool pedia pênalti, Ekitike seguiu na jogada e rolou para Wirtz, a 12 jardas do gol. Wirtz tentou colocar a bola na rede, mas James Justin fez um bloqueio salvador. O Liverpool seguiu reclamando do pênalti, mas Chris Kavanagh mandou o jogo seguir.
O ritmo caiu novamente, e o jogo só ganhou emoção quando Alisson pareceu querer dar uma chance ao Leeds. Ele saiu jogando da área com a parte externa do pé direito, como se fosse Jairzinho ou Carlos Alberto, mas entregou a bola diretamente para Ethan Ampadu, a cerca de 30 jardas do gol. Ampadu tentou tocar para a rede vazia, mas Alisson se recuperou a tempo e se atirou sobre a bola, aliviado.
Dominic Calvert-Lewin colocou a bola na rede para o Leeds, mas o gol foi anulado por impedimento

Os visitantes justificaram o ponto conquistado e pareceram mais perigosos nos minutos finais

Ampadu foi provavelmente o melhor em campo na primeira hora. Ele deu equilíbrio ao Leeds e comandou quase todas as jogadas da equipe, mas, quando esse período chegava ao fim, dominou a bola com o braço na entrada da área e cedeu uma falta que deu ao Liverpool uma rara oportunidade.
Wirtz tentou colocar a bola por cima da barreira, mas, refletindo a falta de brilho do jogo até então, a cobrança foi bloqueada com facilidade e afastada. O Liverpool ainda tentou retomar a jogada, sem sucesso. Em Anfield, ouviram-se gritos e murmúrios de decepção.
Embora o Leeds fosse conhecido pela força nas bolas paradas, foi o Liverpool quem esteve mais perto de marcar em cobrança de escanteio. Dominik Szoboszlai colocou a bola no coração da área, Virgil van Dijk apareceu para cabecear com força, mas a finalização quicou no gramado e saiu à esquerda da trave de Lucas Perri.
Calvert-Lewin estava em campo havia 11 minutos quando teve sua primeira grande chance e, por um instante, pareceu ter marcado. Ele reagiu rápido a uma bola solta na pequena área e tocou por cobertura na saída de Alisson, mas o assistente assinalou impedimento, e os replays confirmaram que foi uma excelente decisão.
O apito final trouxe algum alívio. Foi recebido com aplausos eufóricos da torcida visitante e resmungos e vaias contidas dos torcedores da casa. O Liverpool é uma equipa muito diferente.