Solskjær pode ajudar o Manchester United, mas não é a solução a longo prazo
As últimas palavras de Ole Gunnar Solskjær no Manchester United em sua primeira passagem ainda deixam a sensação de que houve algo inacabado.
"Este clube significa tudo para mim... Vou sair pela porta da frente, porque acho que todos sabem que dei tudo por este clube... infelizmente, não consegui os resultados de que precisávamos, e chegou a hora de eu dar um passo atrás."
Não eram palavras de um treinador distante do clube, mas de uma verdadeira lenda que compreendia plenamente o peso do escudo e as expectativas que o acompanham.
Cinco anos depois, com o United novamente em busca de estabilidade após a saída de Ruben Amorim, a ideia de Ole voltar como interino parece menos nostalgia e mais pragmatismo.
A era pós-Ferguson do Manchester United tem sido marcada por experimentações. Diferentes treinadores, filosofias distintas e planos táticos variados não tiveram tempo suficiente para se consolidar, embora todos tenham pedido ao clube uma reformulação profunda de sua identidade.
A crítica de Gary Neville após a saída de Amorim foi ao cerne da questão. "Os experimentos precisam parar", disse ele. "O Manchester United precisa contratar um treinador que se encaixe no DNA do clube." O United tem repetidamente tentado se adaptar aos treinadores, em vez de nomear alguém que entenda o que o clube deve ser.
É nesse contexto que o nome de Solskjær volta naturalmente à tona, já que sites de apostas online logo o colocaram como favorito para suceder Amorim. Ole não é um técnico revolucionário do ponto de vista tático, nem chega com uma ideologia rígida que exija uma reformulação estrutural completa. O que ele oferece é um entendimento instintivo da cultura do Manchester United: transições rápidas, vocação ofensiva, confiança nos jovens e uma ligação emocional com os torcedores.
Em sua primeira passagem, especialmente entre 2019 e 2021, o United apresentou um dos seus futebóis mais fluídos desde a saída de Sir Alex Ferguson. A equipe contra-atacava em alta velocidade, pressionava de forma agressiva nos grandes jogos e devolveu a confiança aos torcedores, já cansados de um futebol cauteloso e de mudanças constantes.
Como treinador interino, Ole ofereceria algo de que o United precisa desesperadamente neste momento: familiaridade e calma. Ele não precisaria de meses para conhecer o clube, nem exigiria uma revolução tática. Sua presença daria estabilidade ao vestiário, reaproximaria os torcedores e permitiria ao United terminar a temporada com clareza, e não em meio à confusão.
Mais importante, isso daria tempo ao clube. Tempo para planejar adequadamente uma nomeação permanente antes da temporada 2026/27 da Premier League.
No entanto, um possível regresso de Ole não deve ser visto como uma solução de longo prazo. Até os seus apoiantes mais fervorosos reconheceriam que a sua primeira passagem acabou por não render títulos. Agora, o seu papel seria de transição, preparando o terreno para o que vier a seguir.
A próxima nomeação precisa levar em conta o alerta de Neville. “Não se pode dizer que esses treinadores não sejam bons técnicos”, afirmou. “Mas todos chegaram com ideias, estilos de jogo e filosofias diferentes, e nenhum deles realmente se encaixa na maneira de jogar do Manchester United.”
O próximo treinador efetivo do United precisa ter mentalidade ofensiva, coragem e estar alinhado à identidade histórica do clube. Neville foi direto: “O clube precisa encontrar agora um técnico experiente, disposto a fazer o time jogar um futebol rápido, envolvente, ofensivo e agressivo.”
Não se trata de seguir tendências nem de importar sistemas que dão certo em outros lugares. O Ajax não vai mudar por ninguém. O Barcelona não vai mudar por ninguém. O United também não deveria.
Ole, como técnico interino, serviria de ponte entre eras e lembraria como o futebol do Manchester United deve ser, enquanto a diretoria finalmente assume uma visão coerente e de longo prazo.
Seu retorno não seria para reescrever a história, mas para devolver um rumo ao clube. Ole saiu antes “pela porta da frente”. Uma breve volta pode ajudar a garantir que o próximo treinador encontre um clube que finalmente saiba novamente quem é.