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O City simplesmente faz, o Arsenal pensa: por dentro da psicologia da corrida pelo título da Premier League

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Apesar da comemoração em campo e da manutenção da liderança, o vestiário do Arsenal esteve longe de ter clima de vitória após o triunfo por 2 a 1 sobre o Wolverhampton Wanderers nos minutos finais. Dava até a impressão de que o líder havia perdido. Arteta disse à imprensa que a atuação ficou muito abaixo do padrão exigido, embora já tivesse cobrado os jogadores em termos bem mais duros.

A preocupação é compreensível, e o Arsenal tem motivos para se inquietar neste momento. O rendimento da equipe caiu de forma brusca — e acentuada —, enquanto o Manchester City retomou sua forma dominante.

Guardiola pode até estar jogando de uma nova maneira, mas a vitória por 3 a 0 sobre o Crystal Palace teve um ar familiar. O City manteve o adversário sob controle o tempo todo, sempre parecendo fora de alcance. A equipe de Oliver Glasner, claro, criou problemas para Guardiola, mas isso pesou menos quando Erling Haaland simplesmente aproveitou suas chances.

Outro sinal preocupante para os rivais é que Phil Foden também está a marcar ao lado do norueguês, já que o City finalmente passou a encontrar mais golos por outras vias.

E, após a vitória ainda mais convincente sobre o Real Madrid, cresce a sensação de que a equipe de Guardiola está no caminho certo e ganhando embalo.

Nesse contexto, não pareceu coincidência que Arteta tenha falado sobre a necessidade de chegar aos 90 pontos na véspera do jogo contra o Wolves.

Isso seria um ponto a mais do que os 89 do Arsenal em 2023–24, quando a equipe foi superada por pouco pelo City. É difícil não pensar que Arteta já se prepara para um desafio semelhante e precisa garantir que seu time esteja no estado mental certo.

É isso também que chama tanto a atenção no City e explica por que já se sente uma mudança na corrida pelo título à medida que se aproxima o marco psicológico do período de Natal.

O City simplesmente faz. O Arsenal parece pensar demais no que faz. A angústia que ronda a equipe em certos momentos voltou com força, e isso ficou claro no fim do jogo contra o Wolves.

A maior preocupação é que o roteiro lembrou a derrota para o Aston Villa. Duas semanas depois de dominar o Bayern de Munique e parecer o melhor time da Europa, o Arsenal se mostrou incomumente nervoso ao recuar para a própria área nos minutos finais.

Fontes do clube insistem que muito disso se deve à dupla William Saliba-Gabriel, temporariamente desfeita por lesão. Os dois permitem que a equipa jogue com a linha muito mais alta, pela forma como se entendem em campo, além da segurança que transmitem.

O Arsenal pode recuperar facilmente o ímpeto recente quando tiver essa linha defensiva em 27 de dezembro contra o Brighton, mas ainda terá mais alguns testes pela frente. Acima de tudo, a próxima semana pode ser uma prova de nervos. E, embora a angústia da torcida por vezes pareça ter influenciado o desempenho do Arsenal, outros treinadores da Premier League questionam o treinador nesse aspecto. Eles acreditam que Arteta pode se emocionar demais à beira do campo.

Guardiola, ao contrário do técnico do Arsenal e de sua própria postura agitada da temporada passada, agora parece bastante sereno. Dá a impressão de que está realmente se divertindo. Ele chegou até a rir depois de sua equipe sofrer quatro gols contra o Fulham, embora esse clima tenha sido muito ajudado pelo fato de o seu time ter marcado cinco.

Aquela partida mostrou que o City ainda tem uma certa vulnerabilidade que pode ser explorada.

Há ainda a grande variável potencial das acusações. O problema é que se fala nisso há tanto tempo, sem qualquer indicação de quando haverá uma decisão, que já parece não haver mais nada a dizer até que isso aconteça.

Pelo andar da situação, isso pode até ficar para a próxima temporada. O City insiste em sua inocência e, como todos os outros, só pode seguir em frente.

E isso, por si só, é decisivo de outra forma. Um dos maiores desafios para conquistar o título é chegar ao ponto em que vencer de forma consistente se torna algo natural, quase protocolar. Não uma rotina, porque as equipas ainda precisam desse foco extra, mas uma consequência constante de um bom trabalho.

A vitória do Arsenal sobre o Wolves não passou essa impressão. Muito pelo contrário: escapou por pouco.

Apenas três pontos atrás, o Villa segue na disputa. O recorde do clube na Premier League, com seis vitórias consecutivas, foi muito além do protocolo. A equipa vive um claro embalo, refletido sobretudo em Ollie Watkins e no excelente Morgan Rogers. Já cresce a conversa sobre uma possível luta pelo título.

Mas isso ainda soa exatamente como parece: conversa empolgada. O Villa e Watkins vivem uma fase em que tudo dá certo — incluindo a finalização de Rogers contra o West Ham United.

Esses períodos já são difíceis de manter em qualquer situação, mas serão ainda mais complicados para um elenco curto que também disputa competição europeia.

Isso não quer dizer, claro, que o Villa não possa conseguir. A equipe já está rendendo muito acima do esperado. Só que o desafio é enorme.

Quando o embalo termina, eles também precisam adotar uma postura pragmática. É isso que realmente diferencia as disputas pelo título quando entram na reta final. O importante é saber superar esse momento. É isso que Arteta está percebendo agora. Guardiola já sabe disso.

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