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Trinity Rodman e a regra HIP: estrelas da seleção feminina dos EUA no exterior podem não ser algo tão ruim

O futuro de Trinity Rodman nos clubes ainda não está definido, mas o destino imediato da estrela do ataque dos EUA reacendeu com força um velho debate deste lado do Atlântico.

Como a National Women’s Soccer League se compara às suas principais ligas concorrentes? Em que momento a liga deve se preocupar se os principais talentos da seleção feminina dos EUA começarem a atravessar o Atlântico? E o que, afinal, pode ser feito para conter esse fluxo?

As questões em debate nos Estados Unidos já existem há bastante tempo, mas antes surgiam em condições bem diferentes: um cenário global menos competitivo, menor investimento no exterior e a gestão formal da NWSL pela US Soccer.

Esse cenário mudou drasticamente na última década, especialmente nos últimos seis anos. Desde a conquista do ouro olímpico no Parc des Princes, algumas das principais jogadoras dos EUA se transferiram para o exterior. Entre elas estão a lateral-direita titular Emily Fox (Arsenal), a zagueira e, por vezes, capitã Naomi Girma (Chelsea) e a ponta em ascensão Alyssa Thompson (Chelsea). Jogadoras-chave como Catarina Macario, a capitã Lindsey Heaps (que assinou neste mês com o clube de sua cidade natal, em Denver), Phallon Tullis-Joyce e Lily Yohannes já atuavam fora do país.

Como destacou o Guardian após a volante Sam Coffey — uma das principais artilheiras da equipe em 2025 — assinar com o Manchester City, se Rodman se transferir para o exterior, será a sexta titular da final olímpica pela medalha de ouro a atuar na Europa.

Uma coisa está clara: a NWSL trata a saída de grandes nomes da USWNT como uma questão de enorme importância. Dada a ligação histórica entre as estrelas da seleção dos EUA e os maiores públicos e o apelo comercial da NWSL, essa preocupação faz sentido. (Ainda assim, vale notar que a saúde da liga já não depende tanto da força de mercado da seleção nacional como no passado.)

Mas o que a liga pode fazer para conter esse fluxo — e se a tendência atual justifica um alarme total — é menos evidente.

A primeira tentativa da liga de conter a saída de jogadoras — e, em especial, evitar a partida de Rodman — é a Regra do Jogador de Alto Impacto, que já foi oficialmente contestada pela associação de atletas da NWSL. A NWSLPA alega que os termos da regra violam o acordo coletivo de trabalho, além da legislação federal trabalhista, e defende, em vez disso, o aumento do teto salarial da liga.

Apelidada de “regra Rodman”, a Regra HIP estabelece critérios para identificar talentos internacionais muito cobiçados e prevê US$ 1 milhão adicional, fora do teto salarial, para acomodá-los no elenco. Entre os critérios estão a minutagem pela seleção feminina dos EUA e posições de destaque em listas de fim de ano, como o top 50 da ESPN e o top 100 do Guardian.

Emma Hayes afirmou à imprensa que não foi consultada sobre os critérios da liga para a Regra HIP e que isso não mudará sua forma de gerir a equipe. A ex-treinadora do Chelsea já abordou o tema publicamente em várias ocasiões, sempre enfatizando que está ali para apoiar cada jogadora em suas próprias decisões, e não para direcioná-las ao exterior.

No que diz respeito à própria regra HIP, a NWSLPA pode ter razão ao sugerir que renegociar o teto salarial é uma forma melhor de manter a competitividade. Mas, em certa medida, vale notar que a ida de talentos da USWNT para o exterior não se resume ao dinheiro. Coffey, por exemplo, mudou-se para Manchester citando os mesmos motivos apresentados por atletas internacionais como a atacante espanhola Esther González — artilheira da Euro do verão passado — e a goleira alemã Ann-Katrin Berger ao chegarem à NWSL: mudar-se em qualquer direção através do Atlântico oferece às jogadoras novos desafios em sistemas diferentes.

Com o crescimento global do futebol, esperar que uma estrela internacional passe toda a carreira em uma única liga pode ser irrealista. Do ponto de vista individual ou da seleção, isso também pode limitar a evolução da jogadora ao buscar novos elementos para o seu jogo. No caso das atletas da seleção feminina dos EUA que se transferem para a Europa, a experiência única de disputar a Liga dos Campeões — que obriga as jogadoras a se adaptarem a diferentes estilos das principais ligas europeias — é insubstituível. Fox apontou a oportunidade de competir na Liga dos Campeões como um fator decisivo para sua ida ao Arsenal e acabou conquistando o torneio em sua temporada de estreia. Hayes destacou que a experiência na Liga dos Campeões é uma ferramenta valiosa para suas jogadoras na preparação para a Copa do Mundo de 2027.

Para amenizar os temores, no movimento inverso da migração, voltar à NWSL continua sendo uma opção atraente para jogadoras da seleção dos EUA, como Heaps e Catarina Macario, que há muito seguem suas carreiras no exterior. E, enquanto a liga se mobiliza para manter Rodman nos EUA, as outras duas integrantes do famoso trio de ataque “triple espresso”, que somou 10 gols em Paris — Mallory Swanson e Sophia Wilson —, devem voltar a atuar em 2026, com todo o peso de suas estrelas.

O foco segue no futuro de Rodman, e a NWSL faz bem em tentar mantê-la nos Estados Unidos. Ainda é muito incerto se a Regra HIP terá impacto nesse sentido, assim como qualquer renegociação do teto salarial. Mas, a longo prazo, um período no exterior para estrelas da seleção feminina dos EUA não é necessariamente motivo de preocupação e, pensando na equipe nacional, pode até acrescentar dinamismo na preparação para a próxima Copa do Mundo.

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Imagem de destaque: [Fotografia: Scott Taetsch/NWSL via Getty Images]

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