Qual é o novo esquema tático de Ruben Amorim no Manchester United e como ele funcionou?
Ruben Amorim pareceu abandonar pela primeira vez seu confiável 3-4-3 como técnico do Manchester United ao testar um novo sistema na partida da Premier League contra o Bournemouth.
Antes do jogo, Amorim afirmou que o United precisará “se adaptar” quando Bryan Mbeumo, Amad Diallo e Noussair Mazraoui viajarem para a Copa Africana de Nações e destacou que sua equipe “precisa aprender com alguns erros que cometemos no passado”.
Críticos do treinador português dizem que ele se manteve excessivamente fiel ao esquema 3-4-3 desde que substituiu Erik ten Hag em novembro passado. Foi com esse sistema que obteve grande sucesso no Sporting de Lisboa, e sua chegada provocou uma mudança imediata em Old Trafford.
Em setembro, Amorim brincou que nem o Papa conseguiria convencê-lo a mudar seu esquema tático. "Este é o meu trabalho. Esta é a minha responsabilidade. Esta é a minha vida. Portanto, não vou mudar isso", disse.
O que foi diferente contra o Bournemouth?
No papel, não muita coisa. Quando a escalação foi divulgada, parecia que Amorim havia montado uma linha de três com Leny Yoro, Ayden Heaven e Luke Shaw, com Amad Diallo e Diogo Dalot como os habituais alas.
XI do Manchester United: Lammens; Yoro, Heaven, Shaw; Amad, Casemiro, Fernandes, Dalot; Mbeumo, Mount, Cunha
Mas, quando a partida começou, o United mostrou uma proposta diferente com a bola. Yoro atuou como um lateral-direito mais tradicional, com Shaw fechando por dentro para se juntar a Heaven e Dalot posicionado pela esquerda.
Diallo teve liberdade para avançar mais e se juntar a Mason Mount, Matheus Cunha e Bruno Fernandes no apoio a Bryan Mbeumo. Casemiro atuou claramente como volante mais recuado.
Isso configurou uma espécie de formação 4-1-3-2, com Mbeumo e Cunha no ataque, Amad pela direita, Mount pela esquerda e Fernandes como camisa 10.
XI do Manchester United: Lammens; Yoro, Heaven, Shaw, Dalot; Casemiro, Fernandes; Amad, Mount; Mbeumo, Cunha
abrir imagem na galeria

Como foi a aparência?
O Manchester United teve 17 finalizações no primeiro tempo, o maior número de qualquer equipe da Premier League até agora nesta temporada, além de um xG de 2,62.
No geral, o United pareceu mais perigoso e incisivo no ataque. E, embora o Bournemouth tenha vivido um bom momento no fim do primeiro tempo, quando Antoine Semenyo empatou, a equipe de Amorim também mostrou mais equilíbrio.
Os anfitriões conseguiram manter a pressão ofensiva e, por vezes, pareceram imparáveis. No novo ataque, Amad, Mbeumo, Cunha, Fernandes e Mount se entenderam e combinaram muito bem.
Amad marcou o gol de abertura, e seu posicionamento mais avançado permitiu que ele aproveitasse o cruzamento de Dalot após Cunha não conseguir o primeiro toque.
O segundo gol saiu em bola parada, com uma cabeçada de Casemiro, mas não se pode dizer que o United não merecia estar na frente.
O que Amorim disse antes do pontapé inicial?
"É sempre a mesma coisa. A formação não é o mais importante, e sim a maneira como você organiza a equipe e tenta tirar proveito do adversário."
"Temos de pensar no futuro e precisamos de ter mais variações no nosso jogo. Vamos perder dois pontas, por isso precisamos de nos adaptar aos jogadores que temos.
"Precisamos aprender com alguns erros que cometemos no passado, então vamos tentar apenas melhorar a equipe."